Revista digital Oil & Gas Brasil nº 72

ARTIGO II

Descomissionamento: mercado complementar, não substitutivo O descomissionamento de plataformas e infraestruturas é um segmento em desenvolvimento, impulsionado pelas exigências regulamentares e ambientais. Trata-se de um mercado relevante, que demanda competências especializadas em desmontagem segura, gestão de resíduos e recuperação ambiental. Contudo, pela ótica de nossa câmara, esse mercado não pode ser visto como substituto para a construção de novos ativos — que possuem maior valor agregado e impacto tecnológico. Ao contrário, o descomissionamento deve ser tratado como parte integrada do ciclo de vida dos ativos, coexistindo com investi- mentos em construção, modernização e ino- vação. Dessa forma, a indústria local pode aproveitar todo o espectro de atividades, ampliando sua participação sem comprome- ter janelas de construção diminuindo assim nossa capacidade de produzir ativos e solu- ções de alta complexidade. Indústria de matriz limpa e descarbonização A transição energética global e as metas de redução de emissões colocam a descarboni- zação como tema estratégico permanente no setor de óleo e gás. O Brasil, devido à sua matriz energética relativamente limpa — que inclui alta participação de renováveis na geração elétrica — possui uma vantagem competitiva para produzir equipamentos e soluções com menor pegada de carbo- no em comparação com fornecedores de

mercados cuja geração depende forte- mente de combustíveis fósseis. Além disso, soluções como eletrificação de sistemas, automação avançada, digitaliza- ção de processos e integração com fontes renováveis estão sendo incorporadas ao desenvolvimento industrial nacional. Essa prática não só atende a demandas ambien- tais, mas aumenta a competitividade sistêmi- ca, pois otimiza desempenho operacional e reduz custos ao longo do ciclo de vida dos ativos. Conclusões finais: previsibilidade, competitividade e soberania como vetores estratégicos O setor de óleo e gás em 2026 consolida um cenário de continuidade de investimen- tos, expansão da produção, incorporação de novas tecnologias e crescente foco em eficiência operacional e desempenho ambiental. No centro desse movimento está a necessidade de previsibilidade regulatória, continuidade de programas estruturantes e políticas públicas consistentes, capazes de criar um ambiente favorável ao planejamen- to industrial de médio e longo prazo. Sem essas condições, a indústria nacional enfrenta dificuldades para sustentar investi- mentos em capacidade produtiva, inovação e qualificação de mão de obra. Para a CSENO/ABIMAQ, fortalecer a indús- tria nacional não representa uma agenda protecionista, mas uma estratégia racional e integrada de segurança energética, eficiên- cia sistêmica e soberania industrial.

cional nos segmentos de óleo, gás e energia. A CSENO/ABIMAQ reafirma que previsibilida- de, isonomia competitiva e continuidade de políticas industriais não são apenas deman- das setoriais, mas condições essenciais para assegurar o futuro da cadeia naval e offshore brasileira e a soberania energética do país.

Nesse contexto, a isonomia de condições entre produtos e serviços nacionais e impor- tados no momento da aquisição é elemento central. A indústria brasileira não reivindica privilégios, mas sim a oportunidade efetiva de competir em bases técnicas, comerciais e regulatórias equilibradas, com critérios transparentes que considerem não ape- nas o preço imediato, mas também fatores como confiabilidade operacional, conteúdo tecnológico, prazo de atendimento, suporte local e ciclo de vida dos ativos. A adoção de políticas que assegurem a participação da indústria local nos proces- sos de contratação gera benefícios que extrapolam o escopo dos projetos individu- ais. Toda a cadeia longa de fornecimento — que inclui fabricantes de equipamen- tos, integradores, empresas de engenharia, serviços especializados, logística, manuten- ção e capacitação técnica — é impactada positivamente, promovendo geração de empregos qualificados, arrecadação tributá- ria, desenvolvimento regional e retenção de conhecimento tecnológico no país. Ao mesmo tempo, essa estratégia reduz vulnerabilidades associadas à dependência excessiva de fornecedores externos e forta- lece a capacidade de resposta do sistema produtivo nacional diante de demandas emergenciais ou variações de mercado. Somente com uma indústria robusta, inovadora e competitiva o Brasil será capaz de transformar o atual ciclo de investimentos em desenvolvimento sustentável, aumento de produtividade e protagonismo interna-

Foto: Divulgação

Leandro Pinto Presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais e Offshore da ABIMAQ

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