Revista digital Oil & Gas Brasil nº 72

ENTREVISTA

alimentação – uma vez que há queda de tensão significativa ao longo de 5km, além de eventual travamento, devido a arrasto em múltiplas curvas. E temos ainda o Hazmag, para inspeção visual em ambientes confi- nados e áreas radioativas, de difícil acesso e alta periculosidade. O&GB: Vocês são hoje a empresa brasi- leira não operadora com o maior volume de recursos em projetos financiados pela cláu- sula de PD&I – já somam quase 204 milhões em projetos com operadoras como Petro- bras, Equinor, Repsol Sinopec Brasil, Shell e Galp. Qual a relevância dessas parcerias? EC: As parcerias com operadoras têm um papel fundamental no nosso modelo de de- senvolvimento. Elas não apenas aceleram a transformação de pesquisa em produto, mas criam uma base colaborativa que garante que cada solução esteja alinhada às necessi- dades reais da indústria, às exigências regu- latórias brasileiras e aos desafios operacio- nais dos diferentes ambientes de produção. O fato de a ouronova ser hoje a deeptech brasileira com o maior volume de recursos em projetos financiados pela cláusula de P,D&I reflete a confiança desses players na nossa capacidade de entregar tecnologia de alto impacto. Mas, mais do que volume de investimento, o que realmente importa é a qualidade da colaboração: trabalhamos lado a lado com equipes técnicas das operadoras, compartilhando conhecimento, validando hipóteses, testando em campo e ajustando soluções para que elas cheguem ao merca- do com maturidade e robustez.

máxima de 5 km. Ele foi testado com suces- so durante a construção do gasoduto TAG Gasfor II, no Ceará. Devido à complexidade e condições da obra, as tecnologias con- vencionais não atendiam com segurança a demanda de verificação da integridade das linhas. O nosso time de desenvolvedores mostrou que desafios são oportunidades para ino- var ou fazer um upgrade de tecnologias disponíveis. Além de ser mais robusto, é um sistema autônomo, que dispensa cabo de

dutos e risers de perfuração, incluindo boost e linhas de choke e kill. Sua aplicação na manutenção de risers de perfuração em unidades offshore responde a uma das maiores demandas da indústria, que opera em ambientes cada vez mais agressivos e complexos. Ente os sistemas modulares para dutos não pigáveis temos o Simas, que foi testado em operações críticas durante a soldagem dos risers e estruturas da plataforma P-55, a maior semissubmersível construída no Brasil, em operação no campo de Roncador desde 2013. O&GB: Vocês também vêm desenvolven- do novos projetos na área ambiental... EC: Sim. Temos projetos de PD&I com a Shell com foco na redução das emissões. Um deles, para explorar quatro caminhos tecnológicos (novos combustíveis), onde a POUC-Rio também é parceira, e o outro, já em estágio mais avançado, pois já foi qualifica- do, é o FAMES (Flare and Methane Emission System), desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). Trata-se de um sistema de sensoriamento remoto de flare e avaliação de eficiência de combustão, mas que embora tenha como foco inicial nas unidades offshore, poderá ser aplicado para fazer reconciliação de emissão em outras plantas industriais. O&GB: Esses sistemas robóticos vêm incorporando novas ferramentas?

EC: Como eu já disse estamos sempre apri- morando nossas soluções, agregando ferra- mentas ou criando outras, como uma versão mais versátil que o Simas, e que reflete a ma- turidade tecnológica da empresa na área de robótica. Trata-se do Simão, um sistema robótico au- tônomo capaz de transportar uma ferramen- ta de inspeção de fuga de fluxo magnético (MFL) ao longo de seções de tubulação com diâmetro externo de 20 polegadas, com diversas curvas e inclinações e extensão

Foto: Divulgação

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