Revista digital Oil & Gas Brasil nº 72

ARTIGO II

A importância estratégica da indústria nacional e da estrutura local Uma indústria nacional forte e estruturada confere ao Brasil vantagens operacionais e estratégicas importantes. A capacidade de produzir equipamentos e oferecer serviços com alto conteúdo local reduz perdas lo- gísticas, encurta prazos de entrega e amplia a confiança dos operadores em cenários complexos de produção offshore e onshore. Além disso, empresas brasileiras já demons- tram competências em sistemas eletrome- cânicos, módulos de processo, sistemas de automação e integração tecnológica. O diálogo permanente da CSENO/ABIMAQ com a Petrobras, Transpetro, demais oil companies, armadores e reguladores é fundamental para aperfeiçoar políticas públicas, promover marcos regulatórios mais estáveis e construir modelos contratuais que considerem de forma equilibrada eficiência econômica e fortalecimento da indústria local. Essa atuação institucional orientada para diálogo técnico contribui diretamente para impulsionar a competitividade brasileira em projetos nacionais e internacionais. Margem Equatorial e Guiana: um novo hub energético regional A região da Margem Equatorial brasileira tem chamado atenção pela sua perspecti- va de exploração e potencial produtivo. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento acele- rado da produção offshore na Guiana tem reposicionado a América do Sul como um hub energético regional capaz de atrair

Consolidação da indústria local como fornecedora de alta complexidade Ao longo das últimas décadas, a indústria nacional de equipamentos navais e offshore evoluiu de forma consistente, atingindo eleva- dos níveis de maturidade tecnológica, capa- cidade industrial e conformidade regulatória. Atualmente, fornecedores brasileiros estão plenamente aptos a competir em projetos que demandam integração de sistemas complexos, certificações internacionais rigorosas e gestão de interfaces técnicas sofisticadas, atendendo aos mais altos padrões de segurança, confiabilidade e desempenho exigidos pela indústria global de óleo e gás.

Essa consolidação, no entanto, foi constru- ída em meio a ciclos de forte volatilidade. Os períodos de descontinuidade de novos projetos — especialmente a ausência de encomendas de novas unidades de pro- dução, navios de apoio e embarcações logísticas — impuseram um custo elevado à indústria nacional. A falta de previsibilida- de resultou na desmobilização de mão de obra altamente qualificada, na ociosidade de capacidades produtivas e na perda tempo- rária de competências críticas. Em 2026, esse histórico se reflete em um desafio concreto: a necessidade de recomposição da capaci- dade industrial e da força de trabalho para atender ao novo ciclo de investimentos. A experiência recente reforça que compe- titividade industrial não se constrói apenas com eficiência técnica, mas com continui- dade e escala. Para mitigar esses riscos no futuro, a CSENO/ABIMAQ defende a adoção de programas estruturantes de médio e longo prazo para frota, plataformas e ativos de apoio, com cronogramas previsíveis e pipelines transparentes. Essa abordagem permite à indústria planejar investimentos, reter talentos, ampliar produtividade e reduzir custos sistêmicos. A proximidade com os projetos, o profundo conhecimento do ambiente operacional brasileiro e a capacidade de resposta rápida a exigências técnicas e ajustes de cronograma seguem sendo vantagens competitivas decisivas — desde que sustentadas por previsibilidade, coordenação institucional e foco estratégico no fortalecimento da indústria nacional.

investimentos e fornecedores globais. Essa dinâmica cria um contexto de comple- mentaridade entre os mercados nacional e regional, com potencial de integrar cadeias produtivas e logísticas. Para o Brasil, essa expansão regional repre- senta uma oportunidade estratégica para posicionar sua indústria como fornecedo- ra confiável não apenas para o mercado doméstico, mas também para atender demandas operacionais nos países vizinhos. A proximidade geográfica, a expertise técnica e a experiência acumulada em proje- tos de grande complexidade oferecem uma base competitiva sólida para o país desem- penhar papel de liderança nesse novo hub.

Foto: Divulgação

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