Revista digital Oil & Gas Brasil nº 72

ARTIGO II

Programa Mar Aberto e a retomada da construção naval O Programa Mar Aberto, liderado pela Trans- petro, representa um marco estruturante para a indústria naval brasileira e para a reorganização de sua cadeia produtiva. A assinatura de contratos e a realização de licitações para a construção de novas em- barcações — incluindo navios-tanque, embarcações especializadas e, de forma crescente, navios de apoio offshore — simbolizam a retomada de uma base industrial estratégica, com impactos diretos sobre estaleiros, integradores e fornecedores nacionais. Em paralelo, a contratação e a entrada em operação de novas FPSOs ampliam de maneira significativa a demanda por em- barcações de apoio dedicadas, como navios de logística, AHTS, unidades para operações subaquáticas, manutenção e construção offshore, fundamentais para assegurar a continuidade, a segurança e a eficiência das operações em águas brasileiras. Nesse contexto, o Programa Mar Aberto também marca o retorno do protagonis- mo da região Sul, agora impulsionado pela retomada das atividades do Estaleiro Rio Grande, que conquistou os contratos para a construção dos navios Handy e gaseiros da Transpetro. Esses contratos representam não apenas a reativação de um ativo indus- trial estratégico, mas também a recuperação de competências técnicas, mão de obra qualificada e capacidade produtiva em larga

escala, reforçando o papel da região como um dos pilares da indústria naval nacional. Trata-se de um movimento relevante de reequilíbrio geográfico da base industrial brasileira, com efeitos positivos sobre forne- cedores, prestadores de serviços e centros de engenharia.

cadeia produtiva local, gera perda de empre- gos qualificados e compromete a previsibili- dade industrial. Manter essas encomendas no mercado nacional fortalece fornecedores de máquinas, equipamentos e sistemas, estimula investimentos em inovação e garante maior resiliência à cadeia logística e produtiva. Para a CSENO/ABIMAQ, a continuidade e a ampliação dos programas de construção no Brasil são condições essenciais para consolidar uma indústria naval competitiva, moderna e alinhada às necessidades estraté- gicas do setor de óleo e gás. Além da expansão da frota, torna-se estratégico acompanhar todo o ciclo de vida das embarcações, incorporando progra- mas contínuos de modernização e retrofit que aumentem a eficiência operacional, a confiabilidade e a competitividade dos ativos ao longo do tempo. Esse acompanhamento é especialmente relevante diante das exigências crescentes de descarbonização e eficiência energética estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO), que impõem novos requisitos técnicos e operacionais para os próximos anos. A capacidade da indústria nacional de atuar tanto na construção quanto na modernização e adequação tecnológica dessas embarcações amplia o valor agrega- do local, fortalece competências industriais e consolida um modelo sustentável e de longo prazo para o desenvolvimento do setor naval brasileiro.

altamente capacitados e tecnologicamente atualizados em diferentes regiões do país, com destaque para Santa Catarina, que se consolidou como um polo relevante para a construção, integração e comissionamento de embarcações de apoio offshore. Ao mes- mo tempo, é esperado que mais estaleiros

Foto: Divulgação

nacionais participem dos próximos ciclos de contratação, promovendo a diversificação da base produtiva, a ampliação da concorrência saudável e a internalização dos investimen- tos no mercado brasileiro. A ampliação da participação de estalei- ros nacionais é fundamental para evitar a migração recorrente de contratos para estaleiros internacionais, que fragiliza a

Dados setoriais amplamente divulgados pela mídia especializada indicam que cada nova FPSO em operação requer um conjunto relevante e permanente de embarcações de apoio, o que amplia o potencial de enco- mendas e contratos de longo prazo para o setor naval nacional.

Atualmente, além do Estaleiro Rio Grande, observa-se uma concentração de estaleiros

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