ARTIGO II
Competitividade industrial como fundamento estratégico Competitividade industrial é mais do que uma meta de mercado: é uma necessidade estratégica. Para que a indústria nacional amplie sua participação e se mantenha sus- tentável, é essencial avançar em políticas públicas que ofereçam previsibilidade regu- latória, estabilidade jurídica e mecanismos de financiamento adequados. Isso permitirá que fornecedores nacionais enfrentem con- corrência global em igualdade de condições. A competitividade também envolve reduzir custos sistêmicos, integrar inovação e efi- ciência ao processo produtivo e consolidar uma cultura de melhoria contínua. A CSENO/ ABIMAQ defende que esse enfoque sistêmi- co é fundamental para elevar a produtivida- de das empresas nacionais, impulsionar sua capacidade de exportação e aumentar seu papel nos mercados globalizados.
Segurança energética, gás natural e o papel do onshore A segurança energética é um eixo central da política de energia do Brasil e de outras economias. Em um cenário global no qual a demanda por energia permanece robus- ta e os mercados de gás natural evoluem rapidamente — com expectativa de expan- são relevante da capacidade global de GNL ao longo de 2026, contribuindo para maior liquidez, limitação de preços e estímulo à demanda — a diversificação de fontes e a integração entre produção offshore e onsho- re tornam-se cada vez mais estratégicas. Para o Brasil, essa integração amplia a resiliência do sistema energético, reduz vulnerabilidades logísticas e cria sinergias industriais relevantes. O gás natural desem- penha papel duplo nesse contexto: atua como combustível de menor intensidade de
dadas no setor offshore de óleo e gás e as demandas técnicas da eólica marítima.
carbono em relação a outros fósseis e como vetor fundamental da transição energética, ao viabilizar geração térmica flexível, suporte à expansão das renováveis intermitentes, uso industrial intensivo e desenvolvimento de infraestrutura energética híbrida. A indústria brasileira de máquinas, equi- pamentos e sistemas para ativos onshore encontra-se bem posicionada para atender essa demanda, com capacidade técnica ins- talada para fornecer soluções em compres- são, processamento, transporte, automação e controle, contribuindo para a ampliação da segurança energética e da competitividade do parque industrial nacional. Paralelamente, o mercado de eólica offshore desponta como uma oportunidade estraté- gica complementar para a matriz energética brasileira, com elevado potencial técnico identificado ao longo da costa e forte inte- resse de investidores nacionais e internacio- nais. No entanto, a ausência de um marco regula- tório plenamente definido, com regras claras para cessão de áreas, licenciamento ambien- tal, conexão ao sistema elétrico e modelos de contratação, tem retardado o início efeti- vo das atividades e a tomada de decisões de investimento. Essa lacuna regulatória limita, no curto prazo, a mobilização da cadeia industrial nacio- nal — incluindo estaleiros, fabricantes de equipamentos, integradores e prestadores de serviços — que poderia se beneficiar da sinergia entre as competências já consoli-
Para a CSENO/ABIMAQ, o avanço regulató- rio é condição essencial para transformar potencial em projetos concretos, ampliar a segurança energética e posicionar a indús- tria brasileira de forma competitiva nesse novo segmento de alto valor agregado. Modernização de ativos, campos maduros e extensão de vida útil Campos maduros representam um segmen- to estratégico para maximizar o valor dos ativos existentes. Em muitos casos, projetos que seriam encaminhados para descomis- sionamento têm sido reavaliados à luz de investimentos em modernização, integran- do melhorias tecnológicas e soluções de eficiência que prolongam a vida útil das instalações. Esses projetos permitem ganhos operacio- nais e reduções de custos, além de preservar empregos e capacidades industriais locais. A indústria brasileira já demonstra compe- tência em soluções de retrofit, automação, monitoramento e upgrades de sistemas que atendem às exigências operacionais e ambientais contemporâneas. Explorar esse mercado de modernização não apenas intensifica a utilização opera- cional dos ativos, mas equilibra investimen- tos entre novos projetos e revitalizações, promovendo um uso mais eficiente dos recursos industriais.
Foto: Divulgação
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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