2025 CC Confidentiality Guide (Portuguese)

PROTEÇÃO DE PACIENTES NO USO DE MATERIAL CLÍNICO PARA AULAS, APRESENTAÇÕES ORAIS, PUBLICAÇÕES E PESQUISA 2 Redução do possível dano experimentado por pacientes como resultado das necessidades científicas, técnicas e éticas da profissão de compartilhar experiências clínicas Rotineiramente, candidatos apresentam seus pacientes analíticos em aulas, em supervisão e em trabalhos escritos para graduação. Analistas geralmente se sentem inclinados a apresentar material clínico quando dão aulas ou palestras em conferências, em grupos de consulta ou em artigos a serem publicados. A pesquisa frequentemente se baseia em material clínico do trabalho analítico. Mas, em todos esses casos – e em muitos outros –, há um inevitável comprometimento da confidencialidade do paciente. Analistas precisam saber que, uma vez apresentado, o material clínico – seja em forma escrita ou oral – tem uma audiência potencialmente ilimitada, especialmente quando pode ser acessado via internet. Apesar de os riscos de reconhecimento poderem ser considerados baixos, quaisquer riscos deste tipo trazem à tona a questão de que não é apenas a realidade de uma quebra de confidencialidade que causa preocupação, mas também qualquer percepção de que houve ou de que pode haver uma violação.

O problema do “consentimento informado”

Nem analisando, nem analista podem estar imediatamente atentos a todos os motivos inconscientes por trás do pedido de permissão para compartilhar material clínico e da anuência em fazê-lo, e nenhum deles pode prever os futuros impactos après-coup de tal decisão. Há, portanto, uma incerteza ética inerente a respeito de consentimento informado em psicanálise, dado o conhecimento sempre apenas parcial da transferência e contratransferência. Sabemos que pacientes podem consentir o compartilhamento de material clínico e, ainda assim, sentir que o analista quebrou sua confiança, o que pode ter sérias consequências para seu tratamento.

Disfarce do material clínico

Uma clássica alternativa ao consentimento informado é o disfarce do material clínico. No entanto, também neste caso, surgem problemas, já que não é fácil encontrar o equilíbrio certo entre disfarce e respeito à realidade clínica. Além disso, mesmo quando o anonimato dos pacientes é respeitado a ponto de eles não serem reconhecíveis por outras pessoas, o seu próprio reconhecimento pode ter repercussões perturbadoras em suas percepções sobre seus analistas, sobre si mesmos e sobre os tratamentos — estejam eles em andamento ou já concluídos.

PEDIDOS DE QUEBRA DE CONFIDENCIALIDADE POR TERCEIROS

Pedidos de terceiros para quebra de confidencialidade por parte de analistas normalmente assumem uma das seguintes três formas: pedidos para que material de um tratamento seja compartilhado com

2 Ver também “Considerações sobre Confidencialidade em Publicações Científicas” “Considerações sobre Confidencialidade para Organizadores de Conferências” “Considerações sobre Confidencialidade para Diretores de Institutos Psicanalíticos”

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