entre ele e o setting online não uma questão de tudo ou nada, mas sim uma questão de gradações de risco.
IMPLICAÇÕES PARA A API E SEUS MEMBROS
A API encara, então, duas metas ambiciosas. Por um lado, ela busca expandir a profissão, inclusive para novas áreas geográficas, mantendo padrões profissionais elevados. Neste processo, um número cada vez maior de membros da API encontra-se convidado a engajar-se com alguma forma de trabalho à distância. Por outro lado, membros da API estão comprometidos com o nosso Código de Ética para proteger a confidencialidade do paciente, sem a qual alguns poderiam argumentar que a associação livre fundamental à psicanálise se torna impossível. É desejável que membros da API que queiram tomar decisões informadas sobre o trabalho à distância melhorem seu conhecimento a respeito da natureza da tecnologia que estão utilizando ou planejam utilizar. No entanto, esta atitude, como dito anteriormente, não significa que a possibilidade de proteção total exista. Como vimos, mesmo o setting clássico atual gera riscos – e ele nunca foi capaz de garantir confidencialidade absoluta. De toda forma, estamos testemunhando – no setting clássico do passado, no setting clássico contemporâneo e na análise à distância – um aumento progressivo dos riscos, o que pode ser combatido com um aumento correspondente nas medidas de proteção.
Consentimento informado e suas limitações
Uma medida às vezes sugerida como modo de lidar com este problema é obter, no começo do tratamento, “consentimento informado” de pacientes sobre os riscos tecnológicos. Entretanto, as dificuldades em torno dessa noção – que, geralmente, existem para psicanalistas devido à transferência – aumentam no caso de settings telemáticos, já que, geralmente, nenhuma das partes é bem-informada sobre tecnologia.
Implicações éticas e algumas possíveis proteções parciais
Analistas que praticam tratamento telemático precisarão se assegurar de que são capazes de proteger suficientemente a confidencialidade. É realista supor que, tomando-se precauções apropriadas, a confidencialidade possa ser adequadamente protegida de possíveis intrusões à privacidade. Exemplos de tais precauções podem incluir: - uso de aparelhos específicos para o trabalho clínico (isto é, aparelhos que não são compartilhados com familiares ou colegas que possam inadvertidamente baixar programas comprometedores); - armazenamento de material clínico no computador do usuário, não na nuvem; - uso de senhas fortes sempre que possível; - evitar o uso de WiFi público; - evitar aplicativos que gravem conversas; - uso de VPN para toda comunicação que não é criptografada; - criptografia de ponta-a-ponta para comunicações por áudio e vídeo; - uso de e-mail criptografado;
- avaliação regular de segurança, com testes ativos da possíveis vulnerabilidades; - busca de ajuda profissional para estabelecer e manter um sistema adequado.
Made with FlippingBook Digital Proposal Creator