Considerações sobre Confidencialidade para Diretores de Institutos Psicanalíticos
Criado pelo Comitê de Confidencialidade da API
2025
Diretores de institutos psicanalíticos enfrentam uma variedade de questões relacionadas à confidencialidade, incluindo: a) proteção da confidencialidade dos candidatos; b) proteção da confidencialidade dos pacientes dos candidatos; c) instrução de candidatos sobre a necessidade de confidencialidade no tratamento psicanalítico; d) criação de uma atmosfera, no instituto e em sociedades, em que a confidencialidade dos membros e de pacientes seja valorizada; e) abordagem de questões mais amplas sobre confidencialidade em encontros científicos. Este documento descreverá algumas das ameaças à confidencialidade inerentes a institutos psicanalíticos e sugerirá práticas para mitigar esses riscos.
A: Confidencialidade para candidatos:
Admissões: Antes mesmo de serem aceitos em um instituto psicanalítico, candidatos são incentivados a explorar suas histórias pessoais e motivações inconscientes no processo de entrevistas para a candidatura. Durante o processo de inscrição, candidatos revelam muito de si para vários membros, tanto em cartas de intenção quanto em entrevistas – e os entrevistadores então discutem o caso com outros membros do instituto. Este processo, enquanto necessário para avaliar aspirantes ao treinamento psicanalítico, torna-se problemático em termos da manutenção de um senso de privacidade para aplicantes que, em breve, serão nossos alunos e colegas. Assim, os institutos devem minimizar o número de pessoas (inclusive da área administrativa) que têm acesso às inscrições. Após o processo de entrevista, conversas sobre aplicantes devem se reservar apenas ao estritamente necessário para que se decida sobre sua adequação à vaga. Por exemplo, é relevante compartilhar o fato de que o candidato demonstra capacidade de autorreflexão; fatos referentes à sua infância, não. Treinamento psicanalítico: Uma vez admitidos, os candidatos apresentam seu trabalho clínico em seminários e sessões de supervisão e são incentivados a incluir sua experiência de contratransferência. Inevitavelmente, haverá uma assimetria de vulnerabilidade entre aqueles que são candidatos ou aplicantes em determinado momento e aqueles da equipe pedagógica; ainda assim, em última instância, todos somos colegas. Precisamos equilibrar nossa necessidade de entender a psique das pessoas em treinamento com as necessidades dos candidatos de confiar que o que eles revelarem em supervisões e aulas será tratado com o máximo respeito. Isto requer uma abordagem de “comunidade de cuidado” 1 , em que medidas de segurança como as descritas abaixo (por exemplo, a limitação do número de leitores de relatórios de casos clínicos) sejam implementadas para proteger a privacidade dos candidatos. Relatórios de supervisão: Assim como as recomendações para o processo de admissão, relatórios de supervisores sobre candidatos devem se referir ao trabalho do candidato, e não ao seu processo pessoal. É possível que um candidato esteja tendo dificuldades em trabalhar com um paciente narcisista e que o supervisor saiba que o candidato teve um pai narcisista, de modo que a contratransferência esteja sendo distorcida. Idealmente, o relatório mencionaria a dificuldade, mas limitaria ao mínimo
1 Glaser J.W. (2002). The community of concern: an ethical discernment process should include and empower all people relevant to the decision. [A comunidade de interesse: um processo de discernimento ético deve incluir e empoderar todas as pessoas relevantes para a decisão] Health Prog. Mar-Apr 83 (2) 17-20, citado no Relatório do Comitê de Sigilo da IPA, 2018, p. 12.
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