Nedko Water Pancortiça [Continente Devirs] Uma Instalação Flowevent
Buinho Creative Hub, Messejana, Portugal 24 de julho de 2025, 17h
A essência de Pancortiça convoca a criação artística da existência, encarnando os mistérios da própria génese. Como um artesão cósmico, molda o mundo a partir de ideias eternas, ecoando o nome grego Pangaia para unir o intangível ao tangível. Pancortiça simboliza um processo dinâmico onde elementos fugazes convergem em realidades perenes, como continentes emergindo de mares primordiais. Reflete uma extensão do fluxo heraclítico, onde nada é criado uma só vez, desafiando concepções antropocêntricas da origem. Esta é uma meditação cinética sobre a emergência, onde o movimento incessante da água atlântica esculpe continentes efêmeros a partir da herança corticeira de Portugal. Testemunha a alquimia ancestral da água: o berço líquido que tensiona e transforma partículas fugazes em terra duradoura. É um recipiente onde a água recorda suas origens cósmicas, fluindo entre dissolução e criação, assim como a cultura humana emerge do abraço da natureza. Pancortiça desdobra-se como uma reencenação poética dos primeiros movimentos da Terra. Num recipiente circular repleto de água, animado por correntes sutis de água e ar, um pó primordial dança sobre uma superfície primordial, coalescendo em ilhas fugazes. Uma meditação cinética sobre a emergência, onde o movimento constante da água esculpe continentes temporários a partir da herança corticeira. O berço líquido tensiona e transforma partículas fugazes em terra duradoura. Aqui, a cortiça, colhida das resilientes árvores Quercus suber que definem as paisagens portuguesas, encarna o pó primordial, repelindo a submersão para formar arquipélagos que se deslocam e reformam, espelhando a dança geológica da formação continental. Sombras dialogam com o tempo profundo: o primeiro meio mnemônico do universo coleta ecos cósmicos, forjando Pangeia a partir do caos oceânico. Neste recipiente, a água recorda suas origens cósmicas, fluindo entre dissolução e criação, assim como a cultura humana emerge do abraço da natureza. Inspirando-se em fontes filosóficas de fluxo, memória narrativa e sabedoria indígena da água, este Flowevent desafia divisões antropocêntricas, propondo a memória inerente da matéria como elo entre os ritmos da natureza e os legados culturais. Emblemática das tradições sustentáveis, a cortiça confere à obra uma ressonância local, convidando à reflexão sobre a gestão ambiental em meio aos fluxos turbulentos do clima. Inserida na vibrante cena artística visual de Lisboa, Pancortiça propõe uma ética sustentável, instando-nos a fluir com, e não contra, as memórias do planeta.
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