EDITORIAL
O Brasil no foco da indústria global de energia
O conjunto dessas histórias revela que o petró- leo chega a São Paulo por múltiplos caminhos — produção offshore, processamento, logística e serviços — e que o estado se tornou peça- -chave na cadeia energética nacional. No artigo de Roberto Silva, a reflexão ganha pro- fundidade: afinal, o Brasil ainda precisa ir a Hous- ton para liderar o setor de energia? O autor ar- gumenta que, embora a OTC permaneça como um dos maiores encontros globais da indústria, o país já não ocupa o papel de mero aprendiz. A evolução tecnológica do offshore brasileiro — dos sistemas submarinos complexos às ope- rações em lâminas d’água superiores a 2.000 metros — transformou o país em referência mundial. Hoje, o Brasil não vai a Houston ape- nas para aprender, mas para apresentar solu- ções desenvolvidas aqui. Roberto destaca que o Atlântico Sul se tornou uma das regiões mais relevantes para o futuro da indústria, aproximando Brasil e África Oci- dental em desafios e oportunidades. Nesse contexto, o Rio de Janeiro desponta como hub tecnológico, empresarial e financeiro do of- fshore. O autor conclui que o Brasil não precisa dei- xar de ir a Houston, mas que Houston — e o mundo — têm cada vez mais razões para vir ao Brasil.
A nova estrutura, prevista para 2027, posiciona Itaguaí como polo logístico essencial para o escoamento do pré-sal, ampliando alternativas para transbordo, atração de investimentos e geração de empregos. A expansão, segundo ele, não é apenas um avanço operacional: é uma oportunidade de fortalecer a economia local, diversificar serviços e consolidar o Porto Sudeste como terminal multicarga preparado para o futuro da indústria. A série Royalties mostra que São Paulo entrou definitivamente no mapa das receitas petrolífe- ras. Embora historicamente associado ao refino, o estado passou a receber volumes expressivos de royalties e participações especiais graças ao avanço do pré-sal na bacia de Santos. Municípios como São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba aparecem entre os maiores beneficiários do país, impulsionados por campos gigantes como Búzios, Sépia, Sapinhoá e Lapa. A reportagem destaca que, em 2024, São Sebastião recebeu R$ 341 milhões em royalties, enquanto Ilhabela re- gistrou oscilações significativas nas receitas, levando à criação de um Fundo Soberano para enfrentar períodos de queda. A UTGCA, em Caraguatatuba, reforça a impor- tância da infraestrutura de gás para a economia local, enquanto o TEBAR, em São Sebastião, ganhou relevância após mudanças regulató- rias da ANP sobre instalações de embarque e desembarque.
O impacto econômico ultrapassou R$ 593 milhões, com 84% de ocupação hoteleira e 13.881 empregos diretos gerados durante o evento — números que colocam a ROG.e no mesmo patamar dos grandes encontros globais do setor. A participação de profissio- nais e empresas de 77 países reforça que o Brasil não apenas domina tecnologias de águas profundas e ultraprofundas, mas se tornou vitrine internacional em inovação, operação e desenvolvimento de novos projetos. A presença de executivos das maiores opera- doras globais — Petrobras, Shell, ExxonMobil, TotalEnergies, Chevron, Galp, entre outras — e debates sobre exploração, gás natural, financia- mento, competitividade offshore, licenciamen- to ambiental e novas fronteiras exploratórias evidenciaram que o Brasil ocupa hoje uma posição estratégica no Atlântico Sul, região que concentra algumas das fronteiras mais promis- soras da indústria mundial. É exatamente essa dimensão que o leitor vai encontrar na matéria de capa desta edição. Já a entrevista com Ulisses Oliveira, diretor de As- suntos Corporativos e Sustentabilidade do Porto Sudeste, evidencia como essa transformação se materializa em infraestrutura. Ele detalha a ex- pansão do terminal, que ganhará uma área dedi- cada ao petróleo e derivados e capacidade para até 144 operações anuais de cargas líquidas.
ROG.e 2026 consolidou-se como um dos maiores eventos de energia do mundo e reafirmou o protagonis-
mo brasileiro no setor offshore. Com 83 mil visitantes, 10% acima da edição anterior, mais de 670 expositores, 100 patrocinadores, 57 star- tups e 924 trabalhos técnicos apresentados, o encontro demonstrou a escala e a vitalidade da indústria nacional.
É nisso que a revista Oil & Gas Brasil acredita. Portanto, vamos em frente!
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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