Writing Workshop at Lisbon Congress

- Então não estive! Pensei na tua escuridão e na privacidade que só dentro de ti encontro. - Obrigado! Já eu, tinha saudades tuas. É pena que só nos encontremos por breves instantes. Na primavera és maior do que eu, mas agora no Inverno eu sou maior do que tu, e como demoro mais tempo fico com mais saudades até tu chegares. Adoro despertar nos teus braços. - E eu abraçar-te, arrancar-te da penumbra e iluminar-te toda! Já sei seu malandro! Tens o sol sempre contigo, quente, brilhante! Eu só o tenho refletido na lua, mas hoje vou ter lua cheia. Vês? Ali? No mar? Não, já não vês porque já partiste, mas logo, logo, volto a ver-te. Quando voltamos a estar juntos mais tempo? Ainda faltam uns anos para o próximo eclipse… - Deixa lá Noite, mais logo contas-me como foi a lua refletida no mar, como dois amantes! Inês Ataíde Gomes, Sociedade Portuguesa de Psicanálise O dia começou com uma chuva pesada. Ainda deitada na cama ouço o som da água batendo na janela do meu quarto nas águas furtadas. Não quero sair da cama Não vou sair Quente, enroscada no teu corpo, penso que este é um amanhecer perfeito. O mundo desaba lá fora, e eu encontro-me em ti. A pele é a minha fronteira, que perto de ti se torna fluida. Às vezes não sei onde termino eu e começas tu. Corpos misturados que se possuem ao som da chuva. Este é um dia perfeito para te amar. Não sei o que separa os teus dedos do meu prazer, os teus olhos do meu olhar, a tua força da minha entrega, a minha pele do teu gozo, ... Isto porque a chuva cai lá fora tão intensa e pesada que não podemos sair a cama. Um envelope sonoro que nos protege aos dois. Lá fora só há chuva, não há mais nada. Aqui dentro só existo eu e tu, eu em ti, tu em mim. Quando houver sol, teremos de sair.

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