Writing Workshop at Lisbon Congress

was her lifelong dream. She felt happy and fulfilled in her role. She believed there could be no more comforting place than being among books, and she often thought that public service justified all the choices she had made throughout her life. Every life she touched and improved with her suggestions for books was an incredible satisfaction, even after many years of uninterrupted activity. The exhaustion she felt from countless hours of continuous work was offset by the good she imagined her beloved books produced. No matter how hard he tried, he couldn't imagine a more noble role than this!

Marta Russo, Sociedade Portuguesa de Psicanálise

No dia 1° de abril, uma senhora idosa e baixa, mudou-se para o apartamento ao lado. Não podia deixar de pensar na parede com os militares, que tinha visto nesse mesmo dia de madrugada. Como era estranho, que o meu pensamento voltasse a essa parede de azulejos. Mesmo em Lisboa, isso não deixava de ser incomum na minha mente. Fechei as cortinas, já que o Sol ia alto. O enjoo não me largava o estômago. Como é que podia ser coincidência, que o filho da senhora, dentro da sua farda bem engomada, a tivesse vindo deixar, juntamente com as suas coisinhas, logo no dia a seguir a eu me ter deparado com aquela imagem. Tentei dormir. Penso que consegui. Pelo menos, duas ou três imagens de barcos aos solavancos estavam cravadas na minha memória, portanto, acho que sonhei... Ou seria o meu estômago a misturar-se com o mar? No piso de baixo, ouço o aspirador, o som até me embala. Mas a minha preocupação, que me inibe o sono e o sonho mais claro, continua a ser a farda. Sinceramente, não sei que farda é. Não percebo nada de patentes, funções e hierarquias. Sei lá se é marinheiro ou fuzileiro! Penso que saiu. Deixou a mãe sozinha? Ou será avó? Ontem à noite acabei por caminhar sem destino. Tentei ignorar a pontinha de medo que senti quando estava sozinho na rua. Afinal, esta é uma cidade segura. Eu tenho é uma coisa cá dentro, que é muito grande e insegura. Ou talvez seja cruel. Quando o Sol baixar, vou sair de novo, mas não vou passar pelo painel de azulejos, nem vou visitar a vizinha nova: “se precisar de alguma coisa, estou aqui mesmo ao lado.” Não, não! Não estou! Já me fui embora, não ver a quero ver, só se for através do óculo da porta, onde a espio e ao filho. Ou neto?

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