Revista digital Oil & Gas Brasil nº 79

ENTREVISTA

O&GB: A Yinson Production entrou no mercado brasileiro por meio de projetos considerados estratégicos para a revitaliza- ção da bacia de Campos, como Anna Nery e Maria Quitéria. Quais novas abordagens, capacidades ou inovações vocês trouxeram para esses dois projetos? TF: Quando olho para Anna Nery e Maria Quitéria, vejo o início do compromisso de longo prazo da Yinson Production com o Brasil. Esses projetos estabeleceram nossa presença em um dos mercados offshore mais sofisticados do mundo e demonstra- ram nossa capacidade de entregar soluções de FPSO de classe mundial para a Petrobras. Quando a Yinson Production entrou no Bra- sil, sabíamos que estávamos entrando em um dos mercados de FPSO mais exigentes do mundo. A Petrobras estabelece padrões técnicos e operacionais excepcionalmente elevados, e o sucesso aqui precisa ser con- quistado. Esse desafio foi justamente o que nos atraiu. Do ponto de vista técnico, o FPSO Maria Qui- téria introduziu diversos recursos de eficiên- cia energética e monitoramento digital de- senvolvidos para otimizar o desempenho ao longo de toda a vida útil da unidade. O FPSO também é o primeiro a chegar ao Brasil com um sistema de geração de energia em ciclo combinado, tecnologia que contribui para uma maior eficiência no uso de combustível e para a redução das emissões em compara- ção com configurações convencionais.

Entrevista Thiago Freitas – Vice-presidente de Business Development da Yinson

Mas talvez o mais importante que trouxe- mos tenha sido uma mentalidade de pro- prietário e operador (owner-and-operator mindset). Como somos os responsáveis pela operação dessas unidades no longo prazo, todas as decisões que tomamos são orien- tadas pelo desempenho ao longo de todo o ciclo de vida. Da engenharia às operações, nosso foco é entregar ativos que operem com segurança, confiabilidade e eficiência por décadas. Acreditávamos que nosso modelo de pro- prietário e operador, nossas capacidades de engenharia e nossa visão de longo pra- zo criariam valor real para os projetos brasi- leiros. Olhando para trás hoje, acredito que essa trajetória validou essa visão. Essa perspectiva de ciclo de vida continua diferenciando a Yinson Production e é cen- tral para a forma como avaliamos cada opor- tunidade no Brasil e no mundo. O&GB: A partir da experiência adquirida nesses projetos, quais lições operacionais e tecnológicas você considera mais relevantes e potencialmente valiosas como referências para futuros ciclos de desenvolvimento of- fshore no Brasil? TF: Na minha visão, uma lição se destaca acima de todas as outras: o sucesso opera- cional começa muito antes do primeiro óleo.

A nova lógica de valor nos projetos de FPSOs

Por Fabiano Reis

e Maria Quitéria, que marcaram a entrada da companhia em um dos ambientes offshore mais sofisticados do mundo. Nesta entrevista exclusiva, Thiago Freitas, vice presidente de Business Development da empresa, detalha como a atuação no país tem redefinido padrões internos, acelerado inovações e influenciado decisões estra- tégicas globais. Ele analisa a evolução das expectativas dos clientes, o papel crescente da digitalização, a importância da eficiência energética e a mudança de foco da indús- tria — que passa a valorizar não apenas a entrega do projeto, mas a confiabilidade operacional ao longo de décadas. O resultado é um panorama claro sobre o futuro dos FPSOs no Brasil: um mercado em expansão, mais exigente, mais tecnológico e cada vez mais orientado à previsibilidade e ao desempenho contínuo.

Foto: Divulgação - Thiago Freitas

mercado brasileiro de FPSOs atra- vessa um momento decisivo. À medida que o país inicia um novo

ciclo de contratações, cresce a demanda por operadores capazes de unir tecnologia, disciplina operacional e visão de longo prazo. É nesse contexto que a Yinson Pro- duction consolida sua presença no Brasil, impulsionada por projetos como Anna Nery

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