Revista digital Oil & Gas Brasil_Dezembro 2025

artigo I continuação

prolongamento das controvérsias regulatórias e judiciais, produzindo efeitos sobre as tarifas e ampliando a incerteza para os agentes da cadeia. A expansão do mercado livre e a incorporação de consumidores de maior escala podem contribuir para alguma moderação tarifária, especialmente quando combinadas a um cenário internacional marcado por preços do petróleo em patamares mais baixos e estabilidade cambial. Outro ponto a ser observado é a eletrificação da mobilidade, gerando maior demanda por gás no mercado térmico. Ainda assim, sem avanços estruturais na coordenação da cadeia e na expansão efetiva da infraestrutura de transporte e processamento, os limites observados em 2025 tendem a se reproduzir. Soma-se a esse quadro a intensificação das disputas, nos âmbitos estadual e regulatório, entre comercializadores e distribuidoras, à medida que parte relevante do setor industrial demonstra incapacidade de sustentar níveis de consumo compatíveis com as tarifas praticadas atualmente, fenômeno já observado e que expõe, inclusive, conflitos associados a cobranças ilegais pelas concessionárias.

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Leonardo Mosimann Estrella é pesquisador do Ineep nas áreas de Gás Natural, GLP e Fertilizantes. É administrador e discente em ciências econômicas pela UFSC e mestre e doutorando em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental pela UDESC. Autor dos livros Gás Natural em Santa Catarina: uma análise crítica da concessão do serviço (2023) e Gás Natural: notas sobre um percurso (2025).

Em contraste com essa fragmentação, o mercado livre de gás revelou um movimento de reposicionamento da Petrobras como principal supridora. Ao longo do ano, a estatal concentrou a maior parte dos contratos ativos do mercado livre, respondendo por mais de 65% dos volumes comercializados neste segmento. Mesmo operando em um ambiente marcado por elevados custos de transporte e distribuição, os contratos firmados com a estatal apresentaram preços inferiores aos praticados no mercado cativo e de seus concorrentes no suprimento. Na comparação entre tarifas industriais reguladas das principais distribuidoras e contratos do mercado livre em polos industriais, as diferenças superaram 25% em relação às tarifas cativas, mesmo após a incidência dos encargos de transporte.

Esse movimento sinaliza a recomposição sob comando da Petrobras, ainda que parcial, de uma lógica de coordenação econômica no suprimento industrial de gás, retornando à previsibilidade de preços e reduzindo assimetrias impostas pela fragmentação da cadeia mesmo no mercado spot. Oferta crescente As perspectivas para 2026 indicam a continuidade do aumento da oferta de gás, sustentada por novos projetos de produção e processamento. Esse movimento, contudo, tende a conviver com a persistência dos gargalos no transporte e com a necessidade de manutenção do fluxo de importações, via GNL e por meio do Gasbol, com gás boliviano e agora também contando com molécula argentina. Em paralelo, as disputas em torno da classificação dos gasodutos de transporte devem se intensificar, com elevado risco de

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