Revista digital Oil & Gas Brasil_Dezembro 2025

entrevista exclusiva (continuação)

Marcelo Castro: A Unicamp tem uma longa tradição de colaboração com a indústria, e o CEPETRO segue essa linha. Desde os anos 2000, já desenvolvemos mais de 450 projetos com mais de 30 financiadores. Isso resultou em infraestrutura de ponta e suporte técnico-administrativo de excelência. A estrutura de Centros de Pesquisa da Unicamp facilita a prospecção de novos projetos, com atuação centralizada na busca de oportunidades e descentralizada na execução. Hoje contamos com 8 grupos internos e cerca de 50 grupos parceiros na universidade. Entre as parcerias, destaco Petrobras, Shell, Equinor, TotalEnergies, Petronas, RepsolSinopec, FAPESP e novos parceiros como CNOOC, CNPC, FINEP, Programa MOVER/FINEP, ExxonMobil e EMBRAPII. Oil&Gas Brasil: Quais projetos o senhor destacaria como emblemáticos pela complexidade ou relevância? Marcelo Castro: Os mais importantes recentemente são os Centros de Pesquisa financiados ou cofinanciados por empresas: o EPIC – Energy Production Innovation Center, uma parceria entre a Equinor e a FAPESP; o CINE – Center of Innovation o New Energies, parceria entre Shell e Fapesp; e o ETRC – Energy Transition Innovation Center, financiado pela TotalEnergies. Esses centros garantem ambientes de longo prazo para pesquisa, manutenção de equipes e infraestrutura. E ainda a criação do CEMOBE, financiado pela FINEP, o primeiro Centro de Mobilidade Elétrica da América Latina. Oil&Gas Brasil: Qual a relevância do modelo de centros de pesquisa? Há possibilidade de novos centros? Marcelo Castro: Temos três centros: o EPIC – Energy Production Innovation Center, uma parceria entre a Equinor e a FAPESP; o CINE – Center of Innovation o New Energies, parceria entre Shell e Fapesp; e o ETRC – Energy Transition Innovation Center, financiado pela TotalEnergies. Eles oferecem previsibilidade e perenidade no investimento, permitindo planejamento de longo prazo, infraestrutura robusta e

orçamentários, manutenção de uma infraestrutura robusta, atração de talentos e a busca por crescimento sustentável em um cenário de diversificação tecnológica e avanço da transição energética. Oil&Gas Brasil: De que forma o CEPETRO enfrentou os desafios do setor nesse período? Marcelo Castro: Um fator decisivo para atravessarmos a pandemia com impactos reduzidos foi a diversidade de empresas financiadoras. Embora a Petrobras seja nossa principal parceira, representando cerca de um terço dos recursos, contamos também com Shell, Equinor, Petronas, RepsolSinopec, TotalEnergies e apoio da FAPESP por meio dos Centros de Pesquisa em Engenharia. Isso permitiu manter a infraestrutura ativa e investir em novas áreas ligadas à transição energética — energia solar, eólica, biocombustíveis, bioprodutos e tecnologias de CCUS. Outro desafio foi a queda acentuada na procura por cursos de pós-graduação em Petróleo, mesmo com bolsas atrativas, infraestrutura de ponta e parcerias internacionais. Nesse contexto, projetos com empresas que permitem a contratação de pesquisadores tornaram-se essenciais diante dos cortes nacionais em P&D. Oil&Gas Brasil: Quais foram os marcos mais significativos desse período recente em termos de produção científica, inovação tecnológica e impacto no setor? Marcelo Castro: A ampliação dos temas financiáveis pela ANP impulsionou fortemente pesquisas em transição energética. Em 2024, cerca de 40% dos recursos já estavam direcionados a esse tema, sem prejuízo do crescimento em óleo e gás. Houve também a criação e expansão de centros de pesquisa com empresas, com parte dos recursos complementados pela FAPESP. A Unicamp atingiu um recorde histórico: mais de 30% de sua pesquisa financiada por empresas, enquanto a média mundial gira em torno de 10%.

Oil&Gas Brasil: Tudo isso fez o CEPETRO crescer nos últimos dez anos? Marcelo Castro: Sem dúvida. Expandimos de 5.000 m² para mais de 7.000 m², com novos laboratórios experimentais, e planejamos incorporar outros 3.000 m² voltados à mobilidade elétrica, análise de riscos e segurança operacional. Também crescemos em pessoal: mesmo com a queda de interesse no setor de petróleo, a ampliação das pesquisas em transição energética dobrou o número de pesquisadores e alunos envolvidos em projetos financiados. O grande desafio agora é transformar pesquisa em produtos. Apesar do volume expressivo de recursos em P&D, ainda são poucas as empresas fornecedoras criadas no setor. Esse é um ponto central para todos os financiadores e uma prioridade para nós, especialmente para gerar empregos qualificados. Oil&Gas Brasil: O CEPETRO sempre se destacou pela interação com a indústria. Quais são hoje as principais parcerias estratégicas?

Foto: Divulgação

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