Revista digital Oil & Gas Brasil_Dezembro 2025

entrevista exclusiva (continuação)

manutenção de equipes. Além disso, promovem interação direta com os desafios das empresas, estimulam inovação e já geraram spin-offs, patentes e softwares. Outro diferencial é a padronização de processos e a proximidade entre pesquisadores e empresas, com estágios que aceleram a transferência de tecnologia. E sim, há discussões em andamento para novos centros em áreas emergentes.

Marcelo Castro: O foco deve ser sempre a formação básica de excelência, orientada para soluções que atendam às necessidades da indústria nacional. Na década de 1980, o CEPETRO foi criado para apoiar a formação de profissionais para a Petrobras; hoje, nossa missão é utilizar a infraestrutura, o corpo docente qualificado e a forte integração com a indústria para garantir uma formação alinhada aos desafios reais da transição energética. Buscamos formar profissionais com visão sistêmica, interdisciplinar e adaptável, capazes de atuar tanto na modernização do setor de petróleo e gás quanto no desenvolvimento de soluções de baixo carbono, sempre com responsabilidade e rigor científico. Oil&Gas Brasil: Olhando para o futuro, quais são as prioridades do CEPETRO para os próximos anos e como o centro pretende se posicionar frente às novas demandas tecnológicas e ambientais do setor de energia?

Oil&Gas Brasil: Em junho de 2025, a Unicamp e a Petrobras criaram o projeto Enfuse (Entrepreneurship for Future and Sustainable Energy), voltado à criação de startups de alta tecnologia – as hard techs – no setor de energia. O que essa parceria representa em termos de fortalecimento do ecossistema nacional de inovação e da capacidade do país de gerar startups de base científica realmente competitivas? Marcelo Castro: Entre todas as empresas com as quais converso, a grande questão sobre investimentos em PD&I é como transformar patentes, relatórios, publicações e softwares desenvolvidos em ICTs em produtos de fato. Há um volume expressivo de investimentos e tecnologias sendo criadas, mas muitas enfrentam dificuldades para se tornarem soluções comerciais. Um dado ilustrativo é o número de projetos de capacitação de fornecedores financiados com recursos da ANP: desde 2016, são apenas cinco, diante de mais de 5.300 projetos totais. Observando o cenário internacional — Noruega, EUA, China, Holanda, entre outros — nota-se uma forte criação de empresas de base tecnológica. No Brasil, setores como agronegócio e bioprodutos também apresentam um ecossistema vibrante. Nesse contexto, o Enfuse busca compreender profundamente os fatores que dificultam o surgimento de deeptechs de energia no país e, por meio de benchmarkings nacionais e internacionais, identificar o que pode ser adaptado ao contexto brasileiro. O projeto também considera as especificidades regionais: uma metodologia eficaz no Sudeste pode não funcionar igualmente bem em outras regiões. Por isso, trabalhamos na construção de uma abordagem nacional, mas flexível, capaz de se adaptar a diferentes realidades. E é importante destacar: não buscamos reinventar a roda. Nosso objetivo é entender o que já foi feito no país, reconhecer boas práticas e propor melhorias e ajustes a partir desse diagnóstico. Oil&Gas Brasil: Como o senhor enxerga o papel do CEPETRO na formação de profissionais e pesquisadores capazes de atuar em um setor que passa por transformações tão rápidas, especialmente diante da transição energética?

Foto: Divulgação

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