alimentar
N.97
Inovar, sim, mas como? E que procura responder às necessidades de um consumidor em constante mudança, muito diferen- te daquele de há dez, 15 ou 20 anos: “Hoje, lidamos com um consumidor mais moderno, informado e exigen- te, que valoriza acima de tudo a conveniência, sem abdi- car da qualidade. Procura soluções práticas, embalagens fáceis de usar, formatos prontos e rapidez na preparação, mas espera também um sabor autêntico e consistente” , descreve Mariana Andrade, falando, ainda, de um consumidor que é mais atento à origem e composi- ção dos produtos, que privilegia receitas nutricio- nalmente equilibradas, com ingredientes naturais e sem aditivos desnecessários. É neste sentido que vão as gamas desenvolvidas, com a porta-voz a acrescentar um dado essencial a esta equação: “Não podemos ignorar o contexto compe - titivo atual, em que a marca própria representa mais de 60% de quota de mercado. Cabe-nos, por isso, reforçar a diferenciação e o valor acrescentado da marca Guloso, evi - tando competir apenas por preço e apostando, antes, na inovação, qualidade e autenticidade que nos distinguem” . A diferenciação perante a concorrência está igualmente presente na abordagem da Mimosa. “Definimos as apostas de inovação com rigor estratégico, priorizando projetos que criam valor para o negócio, re- forçam o valor e posição da marca e nos permitem ante - cipar a concorrência, desenvolvendo categorias, merca- dos e novos momentos de consumo que acompanham, e muitas vezes antecedem, as principais tendências” , ma- nifesta Teresa Bruno. E é neste contexto que orga- niza em quatro as principais necessidades a que a marca de lacticínios se propõe responder: nutrição, saúde, sabor e estilos de vida. Sabendo que, quan- do se pensa portefólio, há que fazer um drill down de todos os clusters , pois cada vez as necessidades são mais voláteis, mais contextuais, targuetizadas e personalizadas. É, pois, importante ouvir o consumidor e, ao mesmo tempo, estar atento às tendências, momen- tos e dinâmicas de consumo. É esse o caminho da Bimbo, diz Alejandro Lacorte: “Para nós, a necessi- dade não é só o ato de alimentar, mas também é muito importante contribuirmos para experiências que se tra- duzam em emoção e diversão, pois o consumidor hoje também exige que as marcas contribuam de alguma for- ma para momentos de leveza e otimismo.” É igualmente o caminho da Nobre, consciente de que, hoje, os consumidores valorizam, sobretu- do, a combinação entre conveniência e sabor, pro- curando produtos que lhes permitam preparar re- feições rápidas, práticas e variadas, que se adaptem aos dias mais intensos, sem abdicar do prazer de comer bem. “É precisamente a estas necessidades que a Nobre procura responder, acompanhando a evolução das rotinas e dos hábitos alimentares” , destaca Cátia Costa. As novas dinâmicas de consumo, que valorizam cada vez mais a conveniência e a autenticidade, são também o norte da inovação da Queijos Santiago.
para o consumidor. Procuramos, de forma constante, tra- zer novidades que respondam às tendências de consumo e acrescentem valor à marca” , refere. Também a Limiano não avança com dados con- cretos, com Rita Fernandes a indicar apenas que a inovação representa “uma fatia relevante” do inves- timento anual do grupo Bel, estando-lhe alocadas equipas multidisciplinares dedicadas a investiga- ção e desenvolvimento e a consumer insights . A mesma linha de pensamento é avançada pela porta-voz da Mimosa: “À semelhança de todas as mar - cas que se querem destacar pelo pioneirismo, diferencia- ção e diversidade, a exigência de investimento alocado ao desenvolvimento de novos produtos é grande e contí- nua, sendo expectável um retorno, para continuar a ali- mentar o negócio da marca.” E pela Bimbo, cujo diretor-geral assume que, por política interna, não são partilhadas informações de investimentos, deixando a nota de que o valor aloca- do à inovação representa “uma parte relevante” do or- çamento de investimento ao consumidor. Também a Nobre fala em investimento contínuo, ainda que não quantifique. “Trata-se de algo permanente que envolve investigação, estudos de mercado e tendências, desenvol - vimento e testes de novos produtos ou apoio em comunica- ção. A inovação é trabalhada de forma transversal dentro da empresa, desde o marketing e envolvendo os diferentes departamentos, como sejam o da inovação e desenvolvi - mento ou a produção” , enquadra. Pela Guloso, sem concretizar dados financeiros, a brand manager afirma que “o maior investimento é o tempo e dedicação da equipa”, num “processo exigente e meticuloso” , que pode levar meses desde a ideia ini- cial até ao lançamento final.
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