COLUNISTA
Roberto Silva Roberto Silva é engenheiro, foi Superintendente de Portos e Superintendente da Indústria Naval em Secretaria de Estado no Rio de Janeiro, foi gerente geral (CEO) de consórcio responsável pelo contrato de eng., construção e montagem de 7 FPSOs.
avanço do debate sobre desco- missionamento de embarcações e unidades offshore no Brasil revela
A discussão sobre descomissionamento precisa, portanto, ser ampliada.
um tema que deixou de ser apenas opera- cional ou ambiental. Trata-se, cada vez mais, de uma discussão estratégica sobre indús- tria, logística, competitividade e soberania econômica. Nas próximas décadas, o Brasil deverá enfrentar um volume crescente de desmobilização de plataformas, FPSOs, embarcações de apoio e demais estruturas ligadas à indústria marítima e offshore. Parte relevante desses ativos demandará processos complexos de desmontagem, desconta- minação, reaproveitamento de materiais e destinação ambientalmente adequada.
Não se trata apenas do custo de desmon- tar ativos antigos. Trata-se de compreender quanto custa ao país não desenvolver uma cadeia nacional competitiva para executar essas atividades. Quando analisamos o processo de forma sistêmica, diversos elementos passam a compor essa equação: • transporte marítimo de longa distância; • seguros; • riscos ambientais; • emissões associadas à logística internacional; • compliance ambiental; • exigências regulatórias; • custos operacionais globais; • volatilidade do mercado internacional de reciclagem naval.
Descomissionamento Offshore: o Brasil precisa transformar custo futuro em política industrial
Hoje, entretanto, uma parcela significativa dessas operações é realizada fora do país.
Na prática, isso significa que estruturas construídas, operadas ou utilizadas durante décadas no mercado brasileiro percorrem milhares de milhas até estaleiros estran- geiros para seu desmantelamento final. E, junto com essas estruturas, exportamos também empregos, capacidade indus- trial, arrecadação, conhecimento técnico e toneladas de sucata metálica de alto valor estratégico.
Ao mesmo tempo, seria simplista ignorar os desafios existentes no Brasil.
O país ainda enfrenta entraves importantes relacionados à carga tributária, insegurança regulatória, licenciamento, financiamento, passivos ambientais e custo de capital para investimentos industriais de grande porte. Desenvolver essa indústria exige reconhecer essas limitações com realismo.
Foto: Divulgação
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