COLUNISTA
Portos e complexos industriais brasileiros podem se tornar polos especializados de reciclagem naval e descomissionamento offshore alinhados às melhores práticas ESG e de economia circular. Mais do que desmontar estruturas, existe a oportunidade de construir uma nova cadeia industrial.
.Além disso, permitiria ao Brasil desenvolver infraestrutura e especialização para compe- tir internacionalmente nesse mercado. O descomissionamento offshore tende a se tornar uma indústria global multibilionária nas próximas décadas. E o Atlântico Sul pos- sui potencial para assumir papel relevante nesse cenário.
A lógica central seria relativamente simples: ao longo da operação econômica dos ati- vos, seus proprietários realizariam aportes progressivos destinados à futura destinação ambientalmente adequada das estruturas.
Mas exatamente por isso talvez seja o momento de iniciar uma discussão mais estruturada sobre mecanismos permanen- tes de financiamento e preparação do ciclo de descomissionamento. Uma referência interessante pode estar na lógica histórica do Fundo da Marinha Mercante, instrumento que contribuiu para o desenvolvimento da indústria naval brasileira ao longo das últimas décadas. No caso do descomissionamento, poderí- amos discutir a criação de fundos setoriais específicos, alimentados gradualmente durante a vida útil dos ativos, permitindo que o custo futuro da desmontagem seja pro- visionado de forma antecipada e sustentável.
Esse modelo poderia gerar múltiplos bene- fícios:
Uma cadeia capaz de integrar: • reaproveitamento de aço; • processamento industrial; • logística; • engenharia; • gestão ambiental; • tecnologia; • geração de empregos qualificados; • serviços marítimos especializados.
O Brasil reúne características difíceis de replicar:
• previsibilidade financeira; • redução de riscos ambientais; • maior segurança regulatória; • fortalecimento da cadeia nacional; • estímulo à economia circular;
• posição geográfica estratégica; • grande parque offshore; • indústria metalúrgica robusta; • tradição naval; • infraestrutura portuária; • capacidade logística; • mercado doméstico de escala relevante.
• atração de investimentos industriais; • aumento da bancabilidade de projetos; • formação de capacidade técnica permanente
O desafio não é pequeno. Mas a oportunida- de também não.
O debate sobre descomissionamento não deve ser tratado apenas como uma obriga- ção ambiental do fim da vida útil dos ati- vos offshore. Ele pode representar uma das mais relevantes oportunidades de reindus- trialização marítima do Brasil nas próximas décadas. Transformar passivos futuros em ativos econô- micos talvez seja exatamente o tipo de visão estratégica que o setor precisa construir agora. Roberto Silva é diretor executivo RJX ENGENHARIA LTDA e diretor comercial da FPSO Expo.
Uma modelagem possível envolveria dois segmentos distintos:
• embarcações; • unidades offshore de produção, armazena- mento e processamento de petróleo e gás. Cada segmento possui características próprias de risco, valor, complexidade operacional e exigência regulatória, o que justificaria estruturas independentes e regras específicas de governança.
Foto: Divulgação
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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