MATÉRIA DE CAPA
Bacia de Campos retoma crescimento
Os resultados reacendem o debate sobre o papel dos campos maduros na segurança energética e na indústria nacional, mas tam- bém evidenciam que a consolidação dessa recuperação dependerá da continuidade dos investimentos.
urante mais de três décadas, a his- tória da indústria brasileira de petró- leo se confundiu com a da bacia de
Campos. Foi ali que o país construiu sua ex- pertise na exploração e produção em águas profundas, desenvolveu tecnologias que se tornariam referência internacional e conso- lidou uma extensa cadeia de fornecedores responsável por milhares de empregos no Norte Fluminense. A ascensão do pré-sal na bacia de Santos, entretanto, alterou essa posição. Nos últimos 15 anos, enquanto os investimentos migra- vam para novas fronteiras exploratórias e ati- vos considerados maduros eram colocados à venda, Campos passou a conviver com su- cessivas quedas de produção e com dúvidas sobre seu futuro. Os números mais recentes indicam que esse movimento começa a mu- dar. Estudos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), elaborados com base nas estatísticas oficiais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostram que a produção média da bacia de Campos alcançou 893,8 mil barris de óleo equivalen- te por dia (boe/d) no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 13,14% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho elevou a participação da bacia para 16,8% da produção nacional de petróleo e gás, interrompendo uma sequ- ência de retração observada ao longo da última década.
Depois de perder o protagonismo para o pré-sal, a mais tradicional província petrolífera brasileira volta a registrar crescimento da produção, impul- sionada pela mudança de estratégia da Petrobras e pela retomada da atividade exploratória.
Estratégia revisada
Mais do que um avanço estatístico, os indi- cadores refletem uma inflexão estratégica. Desde 2023, a Petrobras abandonou a políti- ca de desinvestimentos que marcou os anos anteriores, voltou a ampliar sua presença na região e retomou projetos de exploração considerados fundamentais para a reposição de reservas. O novo direcionamento inclui a recomposição do portfólio de ativos, a aqui- sição de blocos exploratórios e o aumento da atividade de perfuração, elementos que voltaram a colocar a bacia de Campos no centro do planejamento da companhia.
Por Fabiano Reis e Julia Vaz
Foto: Divulgação - Francismar Ferreira
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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