MATÉRIA DE CAPA
“O aumento da produção de petróleo e gás na bacia de Campos no primeiro trimes- tre de 2026 está fortemente associado ao processo de ramp-up dos FPSOs Anna Nery e Anita Garibaldi, instalados nos campos de Marlim e Voador, conforme aponta a Petrobras em seu Relatório de Produção e Vendas do primeiro trimestre de 2026 . Somadas ao FPSO Maria Quitéria, essas unidades desempenharam papel decisivo na recuperação recente da produção da companhia e na consolidação da retomada produtiva da bacia de Campos”, explica um dos autores do estudo publicado no Bole- tim do INEEP, Francismar Ferreira, doutor em Geografia pela UFES e coordenador de pesquisas e pesquisador do Ineep na área de Exploração e Produção. Ele observa que embora as plataformas Anna Nery e Anita Garibaldi tenham entra- do em operação em 2023, sua contratação foi definida antes da mudança de estratégia da Petrobras iniciada naquele mesmo ano. “Ainda assim, o desempenho alcançado por essas unidades no primeiro trimestre de 2026 não pode ser analisado de forma disso- ciada da inflexão estratégica promovida pela companhia a partir de 2023”, agrega. Ele lembra que, no âmbito da política de desinvestimentos, a companhia chegou a lançar o teaser para a venda de 50% de parti- cipação não operada no Polo Marlim, abran- gendo as concessões de Marlim, Marlim Leste, Marlim Sul e Voador. “Caso essa opera- ção tivesse sido concluída, parte expressiva da produção atualmente incorporada ao
portfólio da Petrobras passaria a pertencer a outro agente econômico. O que reduziria a participação da estatal na produção da bacia de Campos e alterando sua capacidade de capturar integralmente os ganhos decor- rentes da entrada em operação das novas unidades.” O encerramento da política de desinvesti- mentos em 2023 assegurou a permanência desses ativos no portfólio da Petrobras e possibilitou a continuidade dos investimen- tos necessários à conclusão dos projetos e ao avanço do ramp-up das plataformas. “Embora os investimentos tenham sido contratados anteriormente, a preservação desses ativos permitiu que seus resultados produtivos fossem apropriados integralmen- te pela companhia, reforçando sua posição na bacia de Campos”, observa. Assim, ele salienta que a recuperação da produção observada no primeiro trimes- tre de 2026 resulta da combinação entre a maturação de investimentos realizados ao longo dos últimos anos e a mudança de orientação estratégica da Petrobras. “Não por acaso, a Petrobras alcançou produ- ção média de 570,9 mil barris de óleo equiva- lente por dia na condição de concessionária, correspondendo a aproximadamente 63,9% da produção da bacia, desempenho direta- mente associado tanto à maturação desses projetos quanto à decisão de mantê-los sob controle integral da companhia”, pondera.
Exploração retomada
Foto: Divulgação
Esse seis poços exploratórios correspondem a 32% do total no país e 60% dos poços perfurados no offshore. Embora a bacia de Campos seja considerada uma província madura, os resultados reforçam a avaliação de que ainda existe potencial para novas acumulações economicamente viáveis, desde que haja continuidade dos investi- mentos exploratórios.
Os efeitos dessa mudança de estratégia são perceptíveis em todas as etapas do upstre- am. Em 2025, a Petrobras perfurou cinco poços exploratórios na bacia — o maior número registrado desde 2011 —, resultan- do em novas descobertas tanto no pós-sal, na região de Sudoeste de Tartaruga Verde, quanto no pré-sal de Marlim Sul. A Shell perfurou um sexto poço (Ariranha- -E1), no bloco CM-659, registrando presença de gás natural.
Confirmam essas expectativas nova desco- berta registrada pela Petrobras em março
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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