Revista digital Oil & Gas Brasil Nº 77

MATÉRIA DE CAPA

O pesquisador do Ineep reafirma que a bacia de Campos continua detendo um importan- te potencial produtivo. “O desafio consiste em consolidar uma estratégia integrada de desenvolvimento que articule expansão da produção, segu- rança energética, geração de emprego e renda e fortalecimento das capacidades produtivas nacionais e regionais. Nesse arranjo, cada bacia guarda sua impor- tância estratégica na sustentação dos níveis de produção, na recomposição de reservas, na manutenção e dinamização da atividade econômica regional e na segurança energé- tica nacional.” Para ele, a segurança energética brasileira depende de uma estratégia que combina a expansão do pré-sal da bacia de Santos com a revitalização da bacia de Campos e com o avanço das atividades exploratórias em novas fronteiras, como a Margem Equatorial e a bacia de Pelotas. “Com isso, o país preser- vará uma base diversificada de produção e ampliando a capacidade do país de planejar seu desenvolvimento energético de forma soberana.” A consolidação dessa nova estratégia requer a ampliação dos investimentos destinados à revitalização dos campos maduros, evitan- do a postergação da contratação de novas plataformas para projetos essenciais para a manutenção e ampliação dos níveis de produção da bacia no médio e longo prazo.

rem localizadas em uma província petrolí- fera amplamente consolidada, que dispõe de infraestrutura instalada de produção, escoamento e apoio logístico. Essa condição potencializa a viabilidade econômica de eventuais novos projetos de desenvolvimen- to da produção”, analisa.. No entanto, essas descobertas ainda demandam avaliações complementares que permitirão caracterizar as condições dos reservatórios e fluidos encontrados, estimar os volumes recuperáveis e avaliar a viabili- dade técnico-econômica de sua produção comercial. Logo, apesar da importância das descobertas para indicar o potencial ener- gético ainda existente, ainda é cedo para estimar com precisão a dimensão dos seus impactos sobre reservas e produção futura.

desse ano, no pré-sal dessa bacia de Cam- pos, em poço exploratório no bloco C-M-477, por meio de poço localizado a 201 km da costa do estado do Rio de Janeiro, em pro- fundidade d’água de 2.984 metros.

A Petrobras é operadora do bloco C-M-477 (70%), em parceria com a bp (30%). O bloco é oriundo da 16ª Rodada de Licitações da ANP, em regime de concessão.

Cautela nas projeções

Por isso, interpretar esses números exige cautela. O crescimento registrado no início de 2026 não elimina os desafios estruturais da bacia de Campos. A própria Petrobras manteve, em seu Plano de Negócios 2026- 2030, o adiamento de plataformas previstas para projetos estruturantes de revitalização, transferindo parte desses investimentos para depois de 2030. Da mesma forma, o volume previsto de novos poços exploratórios ainda é conside- rado modesto diante do potencial geológico da região e das áreas recentemente incorpo- radas ao portfólio da companhia.

Foto: Divulgação

Esse cenário representa uma mudança relevante para uma região que, durante anos, assistiu à desaceleração dos investimentos, à venda de ativos e à redução da atividade industrial. A retomada da produção tem reflexos que vão além das plataformas. Ela influencia decisões de fornecedores, empresas de serviços, estaleiros, operadores logísticos e municípios que dependem dire-

ta ou indiretamente da dinâmica da indústria de óleo e gás.

Para Francismar Ferreira, as recentes des- cobertas representam mais do que um êxito exploratório pontual: mostram que a bacia de Campos permanece com relevante potencial para a incorporação de novas reservas de petróleo e gás natural. “Elas adquirem importância adicional por esta-

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