OFFSHORE
Em 2024, Saquarema recebeu aproximada- mente R$ 2 bilhões em compensações finan- ceiras — valor que a coloca entre os maiores beneficiários do país, ao lado de Maricá, Niterói e Campos. A cidade integra o grupo de municípios que mais se beneficiam da redistribuição dos recursos da produção do pré-sal, especialmente após a consolidação da bacia de Santos como principal polo petrolífero do Brasil. Essa abundância, porém, traz riscos. A vo- latilidade dos preços internacionais do petróleo e a oscilação da produção podem afetar drasticamente as receitas. Municípios que viveram ciclos semelhantes — como Macaé nos anos 2000 — enfrentaram crises profundas quando a arrecadação caiu. Por isso, a própria prefeitura já admite a neces- sidade de diversificar a economia e reduzir a dependência dessa fonte.
• Ampliação da rede de saúde, com novas unidades e modernização de equipa- mentos. • Investimentos sociais, que cresceram 158% em educação e 84% em saúde per ca- pita. • Programas de qualificação profissional e empreendedorismo, financiados direta ou indiretamente pelos royalties. Além disso, a expansão urbana avança sobre bairros periféricos, exigindo maior oferta de saneamento, transporte e serviços públicos. A pressão sobre a infraestrutura é um dos principais desafios do momento.
Apesar da riqueza formal, a renda real da população permanece modesta. O rendi- mento médio gira em torno de R$ 2,3 mil mensais, e a informalidade ainda é elevada. Esse descompasso é comum em cidades altamente dependentes de receitas externas: a arrecadação cresce mais rápido do que a capacidade de transformar recursos em bem-estar social. Estudos recentes mostram que, embora Saquarema esteja entre os municípios mais ricos em arrecadação, ocupa posição intermediária quando o critério é qualidade de vida.
O desafio é transformar o ciclo atual em desenvolvimento duradouro — algo que exige planejamento, diversificação econômi- ca e políticas públicas consistentes. O crescimento acelerado expõe fragilidades. A rede de saúde, mesmo com investimentos, opera sob pressão. O sistema educacional precisa se adaptar ao aumento da demanda. A expansão urbana exige mais saneamento, mobilidade e ordenamento territorial. Além disso, a sustentabilidade fiscal no longo prazo é uma preocupação real. A dependência dos royalties torna o município vulnerável a oscilações do mercado interna- cional e a mudanças regulatórias.
Crescimento econômico X desigualdades
Identidade, turismo e o papel do surf
Saquarema não é apenas petróleo. A cidade construiu sua identidade entre a lagoa, o mar aberto e uma relação antiga com o surf. O documento lembra que “a Praia de Itaúna é considerada um dos melhores picos de surf do Brasil”, o que rendeu ao município o apelido de Maracanã do Surf. Desde 2017, Saquarema recebe uma etapa da World Surf League (WSL), colocando o município no calendário internacional e mo- vimentando a economia fora da alta tempo- rada. O impacto é direto em hotéis, restau- rantes e comércio.
Transformações urbanas
O impacto mais visível do novo ciclo econômico está na paisagem urbana. Como descreve o documento, “Saquarema se trans- formou em um grande canteiro de obras”. A cidade vive um processo de expansão que inclui pavimentação, mobilidade urbana, requalificação de áreas estratégicas e cons- trução de novos equipamentos públicos.
Entre os projetos estruturantes, destacam-se:
O turismo também se apoia em: •
•Cidade da Educação, um complexo que reúne escolas, espaços culturais e áreas de formação profissional.
praias extensas e de mar forte
• •
lagoas usadas para esportes náuticos
trilhas e áreas naturais
Foto: Divulgação
36
37
REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
Made with FlippingBook Ebook Creator