Revista digital Oil&Gas Brasil Nº 76_Edição Especial FPSO E…

EXPOSIÇÃO

Sobena: reconhecimento no setor naval e offshore

vez mais no Brasil”. Essa internalização do conhecimento é vista como elemento-chave para o fortalecimento da engenharia nacional e para a geração de empregos qualificados. Ao analisar a trajetória do setor, Mattos também ressalta a contribuição decisiva da engenharia naval brasileira no avanço tec- nológico dos FPSOs. “O Brasil foi obrigado a resolver problemas que poucos países tinham na mesma escala”, afirma, citando desafios como águas ultraprofundas, grandes distân- cias da costa e reservatórios complexos. Esse contexto levou à formação de uma “escola brasileira de engenharia offshore”, que hoje se projeta internacionalmente. Entre os principais marcos, ele destaca três frentes: a liderança em tecnologia para águas profundas, a excelência em operação e manutenção de unidades em condições severas e o avanço recente na digitalização. “A nova fronteira é juntar essa tradição com inteligência artificial, gêmeos digitais, análise preditiva e otimização energética”, explica. No entanto, Mattos chama atenção para entraves estruturais ainda presentes no país. Um deles é a construção majoritária de FPSOs no exterior. “A Ásia consolidou uma com- binação muito difícil de competir: escala, produtividade, financiamento e capacidade de execução simultânea”, observa. Segundo ele, o Brasil foi prejudicado por ciclos de descontinui- dade. “Estaleiro não sobrevive com demanda errática. Empresa de engenharia não mantém equipe sem pipeline”, pontua. Para reverter esse quadro, ele defende uma abordagem mais estruturada. “Não basta exigir

conteúdo local de forma abstrata. É preciso uma política de longo prazo, com previsibilida- de, financiamento competitivo e encomendas bem estruturadas”. Ao mesmo tempo, ressalta que a participação estrangeira é bem-vinda — desde que contribua para o desenvolvi- mento local. “O problema não é o estrangeiro. O problema é o Brasil ficar só com a operação enquanto a inteligência industrial fica fora”. Outro ponto central para ampliar a competiti- vidade nacional é a antecipação da engenha- ria brasileira nos projetos. “Precisamos estar na fase de concepção, no FEED, na análise de risco. Muitas vezes entramos tarde, quando as principais decisões já foram tomadas”, afirma. Para ele, a engenharia deve ser tratada como ativo estratégico. “O Brasil precisa parar de tratar engenharia como custo e passar a tratar engenharia como soberania tecnológica”. Por fim, Mattos aponta que o futuro da engenharia naval brasileira passa por uma reconstrução com pragmatismo. “O Brasil vai continuar precisando de óleo e gás por mui- tos anos, mas precisa produzir com menor intensidade de carbono, mais eficiência e mais conteúdo tecnológico nacional”. Ele destaca ainda oportunidades em campos madu- ros, descomissionamento e novas fronteiras exploratórias, sempre com foco em inovação e sustentabilidade. “A transição energética brasileira não pode ser importada pronta. Ela precisa considerar a nossa realidade”, conclui, reforçando a visão de uma engenharia naval forte, conectada às universidades, aberta ao capital internacional, mas com protagonismo nacional.

A presença da entidade reforçou o papel estratégico da engenharia naval brasileira em um dos mercados mais relevantes do cenário global de energia offshore: o de FPSOs. “O Brasil hoje não é um mercado periférico de FPSOs. É um dos centros do jogo global”, afirma Luis de Mattos, reiterando que o evento ganha uma dimensão especial no contex- to atual da indústria. “A escala dos projetos brasileiros — especialmente no pré-sal — colocou o país no radar das unidades de grande capacidade, em águas ultraprofundas e com alto nível de complexidade tecnológica.” Nesse sentido, a FPSO Expo deixa de ser apenas uma vitrine de fornecedores para se consolidar como um ponto de convergência entre os principais atores do setor. “Quando um evento desse acontece no Brasil, ele não é apenas uma feira de fornecedores. Ele vira um ponto de encontro entre operadoras, afretadores, estaleiros, empresas de engenharia, uni- versidades, classificadoras e reguladores”, destaca Mattos. Para a entidade, esse ambiente é fundamental para transformar demanda em conhecimento e em capacidade instalada no país. O dirigente da entidade reforça que o desafio vai além da construção das unidades. “O FPSO que opera aqui pode até ter partes construídas fora, mas o conhecimento sobre o campo, a operação, a integridade, a manutenção e a realidade regulatória precisa estar cada

Foto: Divulgação

Outra instituição que também faz parte dessa comunidade e apoiou a FPSO Expo é a Socie- dade Brasileira de Engenharia Naval Sobena (SOBENA), que em 2027 vai completar 65 anos de atividades. Com um papel mais técnico e científico, com mais de seis décadas de atuação como fórum de conhecimento e desenvolvimento da engenharia naval brasileira, a entidade foi homenageada no congresso, no qual teve ex-dirigentes premiados por sua atuação no setor naval e offshore: Agenor Cesar Junqueira Leite, Alceu Mariano de Melo Souza e Rubens Langer. Eles foram recebidos no estande da SOBENA pelo vice-presidente da entidade, Luis de Mattos.

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