Revista digital Oil&Gas Brasil Nº 76_Edição Especial FPSO E…

CONGRESSO

Extensão de vida útil exige gestão de integridade, dados e manutenção preditiva

A palestra também abordou a evolução histórica dos modelos de manutenção na indústria offshore. O executivo explicou que, entre as décadas de 1960 e 1980, predominava uma abordagem correti- va, baseada em operação até falha. Com o avanço das exigências regulatórias e o aumento dos custos operacionais, o setor passou a adotar estratégias preventivas e, mais recentemente, modelos preditivos de manutenção. Segundo o executivo, a manutenção preditiva representa hoje uma das principais ferramentas para ampliar a eficiência operacional e reduzir riscos em ativos maduros. A metodologia utiliza análise de dados, monitoramento contínuo e modelagem matemática para prever de- gradações antes que ocorram falhas críticas. Outro tema relevante da apresentação foi a obsolescência tecnológica. O execu- tivo explicou que muitos equipamentos utilizados em plataformas mais antigas já não possuem peças disponíveis no merca- do, obrigando operadores a desenvolver estratégias específicas de reposição, retrofit ou substituição de sistemas. “...o primeiro passo para qualquer projeto de extensão de vida útil é compreender com precisão o histórico operacional da unidade’.”

de rotação das unidades são fundamentais para garantir segurança operacional em projetos de extensão de vida útil. Ele observou ainda que decisões relacio- nadas à manutenção precisam equilibrar custo, risco e continuidade operacional. Segundo ele, o aumento do Opex em estratégias preventivas e preditivas pode gerar ganhos relevantes no longo prazo, reduzindo falhas, paradas não programadas e perdas de produção. Ao encerrar a apresentação, Galgoul reforçou que a indústria offshore caminha para um modelo cada vez mais orientado por dados, análise de risco e inteligência operacional. Para ele, o sucesso da exten- são de vida útil de FPSOs dependerá da capacidade das operadoras de integrar manutenção preditiva, gestão de integrida- de e tomada de decisão baseada em dados técnicos confiáveis. Em rápida entrevista após a palestra, Galgoul disse considerar a manutenção um dos maiores desafios para o mercado. “Muito embora a minha palestra tenha sido sobre extensão de vida, o que mais impacta a extensão de vida é o quanto de manu- tenção nós fizemos ou deixamos de fazer. E esse impacto, obviamente, viabiliza ou não viabiliza a extensão de vida de uma plata- forma. Os gastos podem parecer excessivos de vez em quando, são gastos excessivos momentaneamente, que vão evitar conse- quências muito mais severas lá na frente”. “...decisões relacionadas à manutenção precisam equilibrar custo, risco e continui- dade operacional.”

s desafios relacionados à extensão da vida útil de plataformas offshore e FPSOs maduros foram tema da

palestra de Daniel Galgoul, Decommis- sioning and Restoration Front End Lead at Shell, durante a FPSO Expo. O executivo abordou os principais fatores técnicos, ope- racionais e regulatórios envolvidos na conti- nuidade de operação de unidades offshore além da vida útil originalmente prevista em projeto. Segundo Galgoul, o primeiro passo para qualquer projeto de extensão de vida útil é compreender com precisão o histórico operacional da unidade. Para ele, a capacidade de manter um FPSO operando de forma segura depende diretamente da qualidade dos dados acumulados ao longo dos anos, da rastreabilidade das intervenções realizadas e da compreensão dos limites e struturais dos ativos. O executivo destacou que segurança, conformidade regulatória e proteção ambiental permanecem como fatores inegociáveis nos projetos offshore. Segundo ele, qualquer decisão relaciona- da à extensão de vida útil precisa consi- derar integridade estrutural, requisitos de classificação, sistemas submarinos, geração de energia, ancoragem e obsolescência de equipamentos.

Durante a apresentação, Galgoul ressaltou que mais de 60% dos projetos de extensão de vida útil não alcançam o prazo inicial- mente previsto. Segundo ele, problemas de integridade estrutural e falhas em sistemas críticos estão entre os principais fatores que comprometem a continuidade operacional das unidades offshore maduras. Foto: Divulgação

Manutenção é crucial

Daniel Galgoul também elencou os desa- fios ligados aos sistemas de ancoragem e turret de FPSOs. Segundo ele, avaliações de fadiga estrutural e integridade dos sistemas

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