Revista digital Oil&Gas Brasil Nº 76_Edição Especial FPSO E…

CONGRESSO

Água produzida desafia operadores e intensifica pressão regulatória

ao longo da vida do campo, a evolução do pacote químico e a ocorrência de emulsões estáveis ou elevadas cargas de sólidos. Esses fatores exigem maior flexibilidade no dese- nho dos sistemas de tratamento, armazena- mento e movimentação de fluidos. A palestra apresentou ainda estudos de caso conduzidos no Brasil envolvendo o fenômeno conhecido como “sheen”, efeito visual relacionado à presença de compostos orgânicos na água descartada. Em um dos exemplos, a investigação identificou baixo desempenho de hidrociclones, associado a condições operacionais inadequadas e limitações na eficiência de separação. Outro caso revelou a influência de com- postos orgânicos solúveis provenientes do pacote químico utilizado na produção. Esses componentes, de alta solubilidade, contribu- íram para o aumento do WSO, dificultando a medição precisa dos parâmetros por mé- todos convencionais e comprometendo a conformidade ambiental. Diante desse cenário, foram implementados ajustes tanto operacionais quanto químicos, incluindo revisão do sistema de tratamen- to e adoção de abordagem em múltiplas etapas. As intervenções permitiram restabe- lecer a eficiência do processo e atender aos requisitos regulatórios. Ao longo da apresentação, André Manhães reforçou que o avanço da produção offsho- re e a nova geração de FPSOs ampliam a relevância de soluções tecnológicas para tra- tamento, monitoramento e gestão da água produzida. O tema se consolida, assim, como elemento estratégico para a sustentabilidade operacional da indústria de óleo e gás.

A apresentação incluiu ainda uma compara- ção entre regimes regulatórios de diferentes regiões, como Estados Unidos, Europa e México. Entre os pontos comuns, foi des- tacada a convergência global para limites próximos de 30 mg/L de óleo na água descartada, acompanhada da incorporação de critérios adicionais, como toxicidade, monitoramento de metais e abordagens baseadas em risco. “...um dos maiores entraves da indústria está na correta caracterização dos contaminantes presentes na água produzida.”

gestão da água produzida em operações offshore foi o tema central da palestra de André

Manhães, Vp Western Hemisphere & Global PW da Cetco Energy. O executivo examinou os principais desafios técnicos, regulatórios e operacionais associados ao tratamento e descarte desse subproduto da produção de petróleo, atualmente conside- rado uma das questões mais complexas da indústria offshore. De acordo com o especialista, a geração de água cresce de forma proporcional- mente superior à do petróleo. A estimativa apresentada indica que, para cada barril de óleo produzido, são gerados cerca de quatro barris de água. Hoje, o setor registra volumes próximos de 300 milhões de barris por dia, com projeções que podem alcançar 600 milhões nos próximos anos. Ao abordar o tema, o executivo res- saltou que um dos maiores entraves da indústria está na correta caracterização dos contaminantes presentes na água produ- zida. Compostos como TOG (total oil and grease), TPH (total petroleum hydrocarbons) e WSO (water soluble organics) influenciam diretamente os parâmetros de descarte e elevam a complexidade dos processos de monitoramento e tratamento.

Tratamento a bordo

Outro aspecto relevante discutido foi a operação dos sistemas de tratamento a bordo dos FPSOs. Segundo o especialista, essas plantas dependem de um equilíbrio sensível entre variáveis como vazão, pressão, composição química e desempenho dos equipamentos. Pequenas variações nessas condições podem comprometer a eficiência do tratamento e elevar custos operacionais. Além disso, o executivo chamou aten- ção para limitações estruturais dos FPSOs modernos. As unidades, hoje configuradas como grandes plantas industriais embarca- das, apresentam restrição de espaço para instalação de soluções adicionais, o que dificulta a implementação de equipamen- tos temporários destinados à correção de desvios operacionais. Nesse contexto, também foi enfatizada a importância do projeto das unidades desde a fase de engenharia (FEED). Segundo o especialista, há incertezas relevantes nesse estágio, como o perfil da água produzida

Foto: Divulgação

O executivo também analisou mudanças recentes nos critérios regulatórios, que ampliaram o nível de exigência para operadores offshore. No Brasil, destacou o fortalecimento do modelo de controle ambiental, conduzido por órgãos como o Ibama, além da adoção de metodologias analíticas mais rigorosas. Esse cenário con- tribui para tornar o ambiente regulatório mais complexo, especialmente quando comparado a outros mercados.

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