Revista digital Oil&Gas Brasil Nº 76_Edição Especial FPSO E…

CONGRESSO

metas ambientais e de sustentabilidade, ao reduzir desperdícios, emissões e consumo de energia. A segurança é outro ponto relevante. Com monitoramento contínuo, a IA ajuda a reduzir riscos de falhas críticas e acidentes, aumentando a confiabilidade das operações.

IA ainda enfrenta obstáculos relevantes. Entre os principais desafios apontados estão questões culturais, organizacionais e estruturais. “Não é um problema tecnológico. É um desafio de engajamento, governança de dados e mudança de mentalidade”, destacou o executivo. Entre as principais barreiras citadas estão a baixa maturidade digital, dificuldade de mensurar retorno sobre investimento, resistência ao compartilhamento de dados e percepção de alta complexidade na implementação. Outro ponto relevante é a grande quan- tidade de projetos piloto que não geram valor efetivo. “Existe uma profusão de inicia- tivas que não saem da prova de conceito. Precisamos focar em criação real de valor”, afirmou.

Apesar do avanço tecnológico, Venâncio reforçou que a IA não substitui profissionais offshore. Pelo contrário: amplia a capacida- de de decisão das equipes. “O modelo é de inteligência artificial centrada no humano. A tecnologia gera os alertas, mas são os engenheiros que fazem a curadoria e transformam isso em ação”, explicou.

Nesse contexto, surge o papel do chamado “engenheiro digital”, responsável por inter- pretar os alertas gerados pelos algoritmos e priorizar as intervenções. A combinação entre análise automatizada e conhecimento humano é apontada como essencial para gerar valor real na operação.

Competitividade e futuro

Para o executivo, a adoção da inteligência artificial nos FPSOs não é mais uma opcional, mas uma questão de competitividade. “Quem não incorporar o uso estratégico de dados e IA às operações vai perder competi- tividade nos próximos anos”, afirmou. Ele também destacou que esse movimento vai além das empresas e passa a ser uma agenda estratégica para o país. “Precisa- mos elevar o nível de maturidade digital e competitividade dos FPSOs que operam no Brasil”, disse. Ao final, a mensagem central foi clara: os FPSOs já estão tecnologicamente prepara- dos para operar com inteligência artificial, mas o verdadeiro desafio está nas pessoas, nos processos e na capacidade das organiza- ções de transformar dados em valor. “Não se trata apenas de usar IA. Trata-se de usar dados de forma estratégica para evitar problemas e garantir operações mais seguras, eficientes e sustentáveis”, concluiu Victor Venâncio.

Impactos diretos nos FPSOs

Quando bem aplicada, a IA industrial tem impacto direto sobre os principais indica- dores das operações offshore. Segundo Ve- nâncio, os benefícios vão além da eficiência operacional. “Melhoramos margens, reduzimos custos de manutenção, evitamos perdas de produção e aumentamos a segurança dos ativos e das pessoas”, afirmou.

Foto: Divulgação

Três dimensões da transformação

artificial nas três dimensões organizacionais: operação, gestão e relacionamento com o negócio”, afirmou Victor Venâncio. Isso inclui desde sistemas industriais (OT) até plataformas corporativas (IT), passando por áreas como manutenção, logística, finanças e comercial.

A adoção da IA em FPSOs, no entanto, não depende apenas de tecnologia. Segundo a apresentação, a transformação digital preci- sa ocorrer simultaneamente em três frentes: tecnologia, processos e cultura.

“Não adianta implementar IA apenas na ope- ração. É necessário integrar a inteligência

Apesar do potencial, a implementação da

Além disso, a tecnologia contribui para

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