MATÉRIA DE CAPA
Além da integridade estrutural, a ques- tão ambiental sempre esteve no foco da Ouronova, que conduz um projeto de P&D em parceria com a Shell e a Universidade de São Paulo (USP), com recurso da cláusula de PD&I. “O FAMES (Flare and Methane Emis- sion System) é um sistema inovador para medição de emissões de metano em flares de FPSOs, pois o controle delas é um dos gran- des desafios offshore”, destaca o executivo. A tecnologia utiliza um sistema LIDAR (Light Detection and Ranging)) de última geração, capaz de medir diretamente gases presen- tes na chama do flare , com o propósito de avaliar a eficiência de queima e apoiar ações de conformidade regulatória e ESG. Outro projeto em desenvolvimento com os recursos da cláusula de PD&I, em parceria com a Equinor, é o Tankbotics, um ecossistema de soluções robóticas voltado às operações em tanques de FPSOs, incluin- do limpeza, inspeção e pintura. Atividades periódicas obrigatórias, que expõem as pessoas envolvidas a ambientes confinados, insalubres e com atmosfera potencialmente explosiva. “A manutenção de tanques é um requisito regulatório, mas não precisa ser sinônimo de alto risco”, destaca Eduardo Costa. “Com robôs, conseguimos aumentar a segurança, reduzir downtime e melhorar a qualidade das inspeções”, afiança o CEO da Ouronova.
“Vamos para o evento por entender que ele reúne a cadeia produtiva que está engajada no desenvolvimento de uma nova geração de FPSOs”, diz Eduardo Costa, CEO da Ouronova. Atuando em frentes que vão desde o monitoramento estrutural de risers até a manutenção robotizada de tanques e o controle de emissões atmosféricas, a empresa aposta na redução de riscos humanos e no uso intensivo de dados para tornar as operações offshore mais seguras e confiáveis.
Segundo o executivo, a tecnologia nasceu da necessidade de enxergar o que antes era invisível. “O monitoramento contínuo da integridade dos risers é fundamental para garantir a segurança da produção em águas profundas. O uso de fibra óptica permite antecipar problemas e reduzir significativa- mente o risco de falhas catastróficas”. O MODA foi uma das soluções adotadas pela Petrobras para viabilizar a produção no pré-sal, consolidando-se como referência em monitoramento estrutural de ativos offshore. Outra frente estratégica da ouronova está na robótica de inspeção, com destaque para o robô Simão, desenvolvido para executar ensaios não destrutivos em tubulações e espaços confinados. Nos FPSOs, sua aplicação mais relevante é a inspeção interna de mangotes de offloading, equipamentos essenciais para a operação de alívio de petróleo entre a unidade e os navios aliviadores. Durante testes em escala real, tanto em ambiente onshore quanto offshore, o Simão foi capaz de realizar inspeções visuais e geométricas em condições operacionais complexas, reduzindo a necessidade de intervenção humana em ambientes de alto risco. Para Eduardo Costa, o avanço da robótica é um caminho sem volta no offshore. “A inspeção periódica desses mangotes, exigida pelas normas do setor, é crucial para a segurança das operações. A robótica nos permite fazer isso com mais precisão e com muito menos exposição das pessoas ao risco”, pontua Eduardo Costa.
Futuro em construção
Para a edição deste ano, a expectativa é de expansão contínua, tanto em público quanto em diversidade de participantes. O congresso reúne representantes de operadoras, construtores e afretadores, fornecedores de bens e serviços na área de FPSOs, e estão previstos cerca de 50 expositores dessa cadeia produtiva no duplo evento que começa em menos de três semanas. A organização aposta no aumento da presença internacional e no aprofundamen- to das discussões técnicas, especialmente em temas que ganham centralidade no setor: descarbonização das operações offshore, eficiência energética em FPSOs, digitalização e monitoramento remoto, revitalização de ativos e descomissiona- mento, novos modelos de contratação e financiamento A combinação desses temas indica uma mudança de fase: o foco deixa de ser apenas expansão da produção e passa a incluir sustentabilidade, eficiência e ciclo completo dos ativos.
Foto: Divulgação - Eduardo Costa, CEO da Ouronova
Entre as tecnologias mais consolidadas está o MODA (Monitoramento Óptico do Arame), sistema que utiliza sensores a fibra óptica para acompanhar, em tempo real, a integridade de risers flexíveis — compo- nentes estratégicos que conectam os poços submarinos ao FPSO. A solução permite detectar deformações e rupturas internas antes que evoluam para falhas críticas, tra- zendo previsibilidade às operações offshore.
Tecnologias sustentáveis
Maior prova disso é a participação de empre- sas de base tecnológica, como a Ouronova. A deeptech brasileira tem se destacado ao aplicar robótica avançada, sensores ópticos e sistemas de monitoramento ambiental em desafios críticos dessas unidades flutuantes de produção.
Mercado maduro
O crescimento da FPSO EXPO Brasil sugere algo maior do que o sucesso de um evento.
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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