MATÉRIA DE CAPA
Rojas, diretor comercial de gás e líquidos da TotalEnergies; Jorge Hijjar, presidente da TBG; e Rodrigo Soares, gerente geral da Shell Energy Trading Brasil. O consenso sobre as soluções logísticas para viabilizar a chega- da desse insumo ao mercado brasileiro foi destaque no debate entre os executivos. O avanço acelerado da produção em Vaca Muerta apresenta potencial promissor, porém fazer com que esse gás chegue ao mercado brasileiro é um desafio de infraes- trutura logística. Para superar esse gargalo, houve consenso de que o escoamento via gasodutos — aproveitando a infraestrutu- ra existente na Bolívia ou ampliando rotas no Sul do Brasil — e a exportação via gás natural liquefeito (GNL) são soluções com- plementares que trazem flexibilidade e escala para conectar as bacias argentinas aos centros de consumo. Para o executivo da PAE, o movimento ultra- passa as fronteiras bilaterais. “Acredito que todos nós que trabalhamos na indústria da energia aqui na América do Sul temos que posicionar a região como uma exportadora de energia mais sustentável para o mundo inteiro de maneira segura. Nós podemos aportar para o mundo mais segurança que outras regiões nem sempre conseguem entregar”, afirmou Catalano.
Um dos pilares dessa estratégia maríti- ma é o projeto em desenvolvimento pela Southern Energy (SESA), consórcio liderado pela PAE e formado por YPF, Pampa Energía, Harbour Energy e Golar LNG. A iniciativa prevê a operação de duas unidades flutuantes de liquefação (Hilli e MKII/Esperanza) na costa argentina, com capacidade para produzir cerca de 6 milhões de toneladas de GNL por ano. A competiti- vidade do projeto já se reflete no mercado internacional, com 80% da capacidade do primeiro navio contratada pela empresa alemã SEFE (Securing Energy for Europe). Catalano afirmou que parte desses volumes poderá chegar ao Brasil, especial- mente em uma primeira etapa, contribuindo para atender às necessidades de flexibilida- de do sistema elétrico brasileiro em momen- tos de menor disponibilidade hídrica. “Todo o trabalho que vem sendo realizado há 15 anos para consolidar Vaca Muerta já está se materializando de maneira concreta, e o GNL é uma via de monetização do gás natural muito importante para nos consoli- darmos definitivamente como uma região exportadora, e não importadora”, concluiu o diretor geral.
O gás natural também foi discutido por representantes da ANP, Petrobras e da indús- tria de base. Transporte, escoamento, tribu- tação e competição foram apontados como fatores que interferem no preço e na capaci- dade de atrair novos consumidores industriais.
Segundo os executivos, prolongar a opera- ção desses ativos permite adiar o descomis- sionamento e manter a demanda sobre a cadeia de fornecedores.
Foto: Divulgação
Argentina amplia sua oferta de gás
A constatação de que a qualidade desses recursos permite atender simultaneamente aos mercados local, regional e global uniu na ROG.e 2026 a visão de especialistas como Alejandro Catalano, diretor geral da Pan American Energy (PAE) no Brasil; Luciano
A abundância e a alta competitividade do gás natural argentino têm consolidado o país vizinho como potência energética, com potencial para atuar como fornecedora regional estratégica.
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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