Revista digital Oil & Gas Brasil nº 80

COLUNISTA

Roberto Silva Roberto Silva é engenheiro, foi Superintendente de Portos e Superintendente da Indústria Naval em Secretaria de Estado no Rio de Janeiro, foi gerente geral (CEO) de consórcio responsável pelo contrato de eng., construção e montagem de 7 FPSOs.

Passamos a operar sistemas submarinos cada vez mais complexos, grandes distân- cias da costa, lâminas d'água superiores a 2.000 metros e unidades de produção com capacidade que impressionaria a indústria offshore de algumas décadas atrás. O resultado é que parte importante da fronteira tecnológica offshore deixou de ser algo que o Brasil simplesmente importava. Passamos também a desenvolvê-la. Os sucessivos reconhecimentos internacio- nais recebidos pela Petrobras na própria OTC são uma demonstração interessante dessa mudança. Há uma inversão simbólica nisso: durante muitos anos fomos a Houston para apren- der sobre tecnologia. Hoje também vamos a Houston mostrar tecnologia desenvolvida e aplicada no Brasil.

urante décadas, para quem atuava na indústria brasileira de petróleo, participar da Offshore Technology Conference – OTC, em Houston, era quase obrigatório. Houston era o lugar onde se encontravam as grandes operadoras, fornecedores, em- presas de engenharia, estaleiros e desenvol- vedores das tecnologias que, mais tarde, se- riam aplicadas em outras partes do mundo. Eu mesmo acompanhei esse movimento durante muitos anos. Íamos a Houston para ver o futuro. Mas será que essa lógica per- manece a mesma? Não tenho dúvida de que a OTC continua sendo um dos mais importantes encontros mundiais da indústria offshore. A questão que proponho é outra: o Brasil de hoje ain- da precisa olhar para Houston da mesma forma que olhava há vinte ou trinta anos?

O Brasil ainda precisa ir a Houston para liderar o setor de energia?

O mercado mudou

Creio que não.

O aluno também passou a ensinar

Existe outro aspecto que merece reflexão.

Quando uma empresa brasileira decide participar de uma grande feira internacio- nal, não deve analisar apenas o prestígio do evento. Precisa avaliar o retorno do investimento. Passagem aérea, hotel, transporte, alimen- tação, montagem de estande, transporte de material, câmbio e deslocamento de equipes representam um custo significativo.

A transformação da indústria brasileira de petróleo, particularmente em águas profun- das e ultraprofundas, mudou nossa posição. O desenvolvimento da bacia de Campos, seguido pelo pré-sal, obrigou Petrobras, universidades, centros de pesquisa, em- presas de engenharia e fornecedores a enfrentarem problemas tecnológicos que poucas regiões do mundo haviam encon- trado naquela escala.

Foto: Divulgação

32

33

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

Made with FlippingBook Ebook Creator