COLUNISTA
Para empresas com estratégia internacional, sua importância permanece evidente.
Isso faz sentido quando o objetivo é a internacionalização da empresa, a entra- da no mercado norte-americano ou o desenvolvimento de relações comerciais globais. Mas, quando o principal mercado da empresa está no Brasil, a equação merece ser analisada com mais cuidado. Hoje temos no Rio de Janeiro uma concen- tração extraordinária da cadeia decisória do petróleo brasileiro. Petrobras, operadoras internacionais, forne- cedores, empresas de engenharia, institui- ções financeiras, classificadoras, universida- des, centros tecnológicos e representantes do poder público encontram-se aqui. Eventos como a ROG.e demonstram a di- mensão alcançada pelo mercado brasileiro e sua capacidade de reunir essa cadeia. Portanto, talvez seja necessário substituir uma pergunta antiga — “como participar dos grandes eventos internacionais?” — por outra mais empresarial: “onde está o cliente que quero encontrar?” O centro de gravidade tecnológico se deslocou Existe ainda uma questão maior. O Atlântico Sul tornou-se uma das regiões mais relevan- tes para o futuro da indústria offshore.
De um lado está o Brasil, com pré-sal, revita- lização de campos maduros, novas frontei- ras exploratórias e uma das maiores concen- trações mundiais de FPSOs. Do outro está a costa ocidental africana, com Angola, Namíbia e outros países atrain- do investimentos e desenvolvendo novas oportunidades. Brasil e África Ocidental possuem, inclusive, características geológicas e operacionais que tornam cada vez mais interessante a aproximação entre essas duas margens do Atlântico. Nesse cenário, o Rio de Janeiro possui con- dições para assumir uma posição ainda mais relevante: não apenas como sede da indús- tria brasileira de petróleo, mas como hub tecnológico, empresarial e financeiro do offshore do Atlântico Sul. Essa talvez seja uma oportunidade que ain- da não percebemos em toda a sua dimen- são. Houston continua importante. Mas o Brasil mudou. Não defendo que as empresas brasileiras deixem de participar da OTC. Seria um erro. Houston continua sendo um centro mundial de petróleo, tecnologia, financiamento e negócios.
Temos também algo que poucos países possuem: problemas tecnológicos reais, em escala industrial, sendo resolvidos continua- mente no mar. É isso que gera inovação. Depois de décadas indo a Houston para co- nhecer o futuro da indústria offshore, talvez tenha chegado o momento de perceber que uma parte importante desse futuro está sendo construída aqui. O Brasil não precisa deixar de ir a Houston. Mas talvez Houston — e o restante do mun- do — tenha cada vez mais razões para vir ao Brasil.
O que questiono é a ideia de que estar em Houston seja necessariamente mais impor- tante do que fortalecer e utilizar os ambien- tes de negócios que construímos no Brasil. Talvez tenhamos mantido um hábito criado quando nossa indústria ainda buscava no ex- terior grande parte das respostas tecnológicas de que precisava. Essa realidade mudou. Hoje possuímos conhecimento, mercado, operadores, fornecedores, universidades, cen- tros de pesquisa e uma enorme carteira de investimentos.
Foto: Divulgação
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