Writing Workshop at Lisbon Congress

Os espectadores vieram correndo, ficaram congelados no lugar e trocaram olhares perplexos.

Alexandra Coimbra, Sociedade Portuguesa de Psicanálise Os espectadores vieram correndo, ficaram congelados no lugar e trocaram olhares perplexos. Eu também fiquei perplexa, olhando para o palco, as cortinas subindo e no palco só se viam caixotes e coisas partidas, parecia um ferro velho, um cenário de guerra, mas o que teria provocado o estrondo e o grito lancinante que levara todos a entrarem rapidamente na sala?! O que fazia tudo aquilo no palco?!… Nada parecia bater certo com o espectáculo para o qual tinham comprado bilhetes. Iam assistir a uma peça de teatro. Sim, o encenador era conhecido por ser irreverente, por levar o espectador a questionar-se, mas o que significava aquele estrondo, aquele grito e agora este cenário?! De repente, começou a ouvir-se uma voz: – Vou contar-vos a minha história, não duvidem da veracidade do que vos contar. – , e, num tom de voz monocórdico, relatou uma vida de violência, perdas e horrores. E continuou: – Podem pensar que podem imaginar o que vivi, mas acreditem que não são capazes de vislumbrar nem a sombra. Terminou, dizendo num tom de voz diferente: – Mas não tenho de que me queixar, aprendi a ir para um mundo dentro de mim, onde não me podiam fazer mal. E agora aqui estou. E estou inteira. Vejam, tenho dez dedinhos! – , e abanava as mãos e mostrava os pés. – Estou inteira, estou aqui, estou viva e acho que não tenho de que me queixar. E os espectadores olhavam atónitos para aquela mulher, de porte imponente, que parecia sentir o que estava a dizer. Alexandre Castro e Silva, Sociedade Portuguesa de Psicanálise Os espetadores vieram correndo, ficaram congelados no lugar e trocaram olhares perplexos… Nem queriam acreditar nos seus olhos, sussurravam entre si e ouvia-se: - Como é possível? -Isto é inacreditável! - Não sei como permitem estas coisas! - É cultura filha! Lá nos “states” é assim! – diz o Sr. Tomás - Cultura? Cultura? Onde já se viu! – responde a esposa – Paguei bilhete para ver pintura moderna e chego aqui e é isto! - Eu acho bonito! É um quadro simples e bonito.

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