Writing Workshop at Lisbon Congress

- Pois claro que achas bonito, mas como é possível este quadro valer trinta milhões! Tu não percebes nada de arte. - Mas acho bonito, a luz, a cor, a perspetiva. - Estás a inventar! Como o teu amigo comprou esta porcaria dizes bem, mas até o Toninho pintava esta porcaria. - Não sejas assim Olga. Sabes que o meu amigo tem uma grande coleção de arte, é uma pessoa que percebe disto, se ele acha que vale trinta milhões é porque deve saber. - Foi burlado! Não viste a cara das pessoas? Até ficaram congeladas, como é evidente! Tu não pensas pela tua cabeça, como sempre vais atrás dos disparates do teu amigo. - Ó Olga não sejas assim! - Claro que sou! Da outra vez foste gastar o dinheiro das férias em cripto-moedas porque ele te disse que valia a pena, e eu tive de ir para a Praia de Carcavelos o mês todo. Inês Ataíde Gomes, Sociedade Portuguesa de Psicanálise Os espectadores vieram correndo, ficaram congelados no lugar, e trocaram olhares perplexos. Algo estava a acontecer que não conseguiam perceber. Vieram para um espetáculo de circo e não sabiam se o que assistiam fazia ou não parte do número. Aconteceu durante a apresentação de uma dupla de malabaristas, um casal que se apresentava como palhaços, fazendo um espetáculo desconcertante em que a todo o momento algo estava para correr verdadeiramente mal e era salvo à última da hora. Fogo que queimava o cabelo que afinal era uma cabeleira, quedas que mesmo que aparentemente descontroladas terminavam graciosamente, pratos que se partiam para depois se revelarem intactos. Até pegarem nas facas. Seguia normal com objetos cortantes cruzando o ar, rasando o corpo feminino parcamente vestido e furando balões, até que uma das facas, longa, afiada, brilhante foge da mão do artista e acerta em cheio no peito do tratador dos animais. Após um momento de silêncio, em que o publico esperava a redenção última para uma ovação de pé, perceberam que algo corria mal. Uma mancha vermelha, espalhava-se na areia da arena, e um gelo instalou-se dentro do recinto. Ela, levara as mãos ao rosto, incrédula. Ele...

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