Writing Workshop at Lisbon Congress

Digo em voz alta: – Meninos, esqueçam, vamos à pizzaria! – Grande alegria e lá fomos todos comer pizza.

At first, she thought it was all a misunderstanding. She couldn't have heard right: ‘It's awful!’ said the children. ‘What do you mean, it's awful?’ I asked. I had spent a lot of time making that dinner, even though I don't even like cooking. ‘Eat up and stop complaining,’ I said peremptorily. Looking glum, my nephews and their friend took another spoonful... I sat down at the table and tasted the soup. It really was awful, they were right. I told them: ‘You don't have to eat the soup. Come on, I'll serve you the main course.’ Smiles and very satisfied faces as they pushed their soup plates aside, but the look of struggling to eat returned when they took their first bite of meat. No, it can't be, I thought. Could it be that it's not tasty either? Before asking any questions, I decided to taste it, and indeed, it was quite bad. I said aloud: ‘Children, forget it, let's go to the pizzeria!’ Great joy, and we all went to eat pizza. Os espectadores vieram correndo, ficaram congelados no lugar e trocaram olhares perplexos. Eu também fiquei perplexa, olhando para o palco, as cortinas subindo e no palco só se viam caixotes e coisas partidas, parecia um ferro velho, um cenário de guerra, mas o que teria provocado o estrondo e o grito lancinante que levara todos a entrarem rapidamente na sala?! O que fazia tudo aquilo no palco?!… Nada parecia bater certo com o espectáculo para o qual tinham comprado bilhetes. Iam assistir a uma peça de teatro. Sim, o encenador era conhecido por ser irreverente, por levar o espectador a questionar-se, mas o que significava aquele estrondo, aquele grito e agora este cenário?! De repente, começou a ouvir-se uma voz: – Vou contar-vos a minha história, não duvidem da veracidade do que vos contar. – , e, num tom de voz monocórdico, relatou uma vida de violência, perdas e horrores. E continuou: – Podem pensar que podem imaginar o que vivi, mas acreditem que não são capazes de vislumbrar nem a sombra. Terminou, dizendo num tom de voz diferente: – Mas não tenho de que me queixar, aprendi a ir para um mundo dentro de mim, onde não me podiam fazer mal. E agora aqui estou. E estou inteira. Vejam, tenho dez dedinhos! – , e abanava as mãos e mostrava os pés. – Estou inteira, estou aqui, estou viva e acho que não tenho de que me queixar. E os espectadores olhavam atónitos para aquela mulher, de porte imponente, que parecia sentir o que estava a dizer.

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