Writing Workshop at Lisbon Congress

He turns back to the orchestra. Silence falls. How beautiful is the silence before the beginning of a piece.

Everyone in the orchestra has their eyes fixed on him, while the audience will be more interested in tracing where a particular passage comes from, searching for the oboe, the flute, identifying the sound of the xylophone, delighting in the aria of the violin. And at his command, the music begins! A atenção dela foi atraída para um pedaço de papel sobre a escrevaninha. Era um papel de um amarelo forte parecia da cor com que ela pintava o sol nos seus desenhos de menina. Sentou-se. E sem pensar muito os seus dedos começaram a dobrar o papel. Primeiro dobrar ao meio sobre o comprido. A sua mente viajou para a varanda que dava para a frente do jardim na sua casa de infância. Era alí que a mãe espalhava papeis e potes com tintas e pinceis nos finais de tarde de Verão. Depois pegar no canto da folha e dobrar sobre a metade. Lembra-se das roseiras com minúsculas rosas pálidas cujos botões eram tão perfeitos, nunca mais viu essas rosas – de Sta teresinha, lembrou-se. Repetir o processo com o outro canto da folha. Muitas vezes nesse jardim brincou com os seus amigos, recorda a fotografia de uma festa de carnaval, ela estava vestida de flor, um fato feito pela mãe, a saia eram pétalas vermelhas de papel crepe, e na fita que lhe prendia os cabelos uma flor da mesma cor. Dobrar a lateral a cerca de um centímetro e meio da dobra central. A mãe conta-lhe que quando se portavam mal, e discutiam entre irmãos, ela a punha a ela e aos irmãos no jardim até resolverem a questão, quando resolvessem poderiam voltar a entrar. Se chovesse era a mãe quem saía. Dobra a lateral do lado oposto. Agora quando visita a casa da infância parece-lhe tão mais pequena, nem parece que ali cabem tantas histórias e tantas brincadeiras. Que belo avião amarelo! Abre a janela.

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