Writing Workshop at Lisbon Congress

Better to be a fugitive! Cuck? Never!

O dia começou com uma chuva pesada. Ainda deitada na cama ouço o som da água batendo na janela do meu quarto nas águas furtadas. Não quero sair da cama Não vou sair Quente, enroscada no teu corpo, penso que este é um amanhecer perfeito. O mundo desaba lá fora, e eu encontro-me em ti. A pele é a minha fronteira, que perto de ti se torna fluida. Às vezes não sei onde termino eu e começas tu. Corpos misturados que se possuem ao som da chuva. Este é um dia perfeito para te amar. Não sei o que separa os teus dedos do meu prazer, os teus olhos do meu olhar, a tua força da minha entrega, a minha pele do teu gozo, ... Isto porque a chuva cai lá fora tão intensa e pesada que não podemos sair a cama. Um envelope sonoro que nos protege aos dois. Lá fora só há chuva, não há mais nada. Aqui dentro só existo eu e tu, eu em ti, tu em mim. Quando houver sol, teremos de sair. Mas hoje chove!

Pesado. Intenso. Hoje somos eu e tu!

The day began with heavy rain. Still lying in bed, I hear the sound of water hitting the window of my attic bedroom. I don't want to get out of bed. I won’t get out.

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