Writing Workshop at Lisbon Congress

- Claro que é, se eu sou o senhor também vai ser. Venha e salve-me a vida, não vê que eu sou uma criança! O homem triplicou as forças e levantou-se e, de mão dada à menina saíram da sala de espetáculos! Já cá fora sentam-se no passeio e encontram o homem que perdeu a voz, imóvel com um olhar perdido. - Então? - disse a menina – Tenha calma, está tudo bem. O homem como que acordando de um pesadelo, olhava incrédulo para a menina de boca aberta. - Sabe o meu pai é bombeiro e diz-me sempre que temos de manter a calma nestas situações. Uma vez eu perdi-me dos meus pais no centro comercial. Distraí-me a olhar para os brinquedos, mas mantive a calma, fui falar com um segurança e encontrei-os. A propósito onde é que está a minha mãe? Olha, vem ali ao fundo toda descabelada! - FILHA!!! Inês Ataíde Gomes, Sociedade Portuguesa de Psicanálise Quando ele estava prestes a se dirigir aos convidados reunidos perdeu a voz. Olhou em volta num pânico momentâneo. Ainda ninguém tinha percebido, seria possível uma solução? Sorriu. Os aplausos faziam-se ouvir, ecoando na sala, mas diminuíam paulatinamente, brevemente chegaria a sua vez. Calma! Afinal és só o maestro! Ninguém vai perceber se fores capaz de disfarçar.

Respira fundo e pega na batuta. As luzes da plateia diminuem Um sorriso desafiador para o público.

Vamos brincar, pensou, se resultou em outras vezes com voz, resultará desta sem voz! Com a batuta na mão direita, a mão esquerda aberta de palma virar para cima incita as vozes do publico. Percebem à primeira, afinal são um publico educado nas artes da música, e mesmo não fosse a clássica todos já ouviram o concerto de Freddy Mercury! Modulando a intensidade com a mão esquerda e o tom com a direita faz o povo falar!

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