Writing Workshop at Lisbon Congress

os odores e atentar-se para transformações de cores. Ok! Então começaria pelo mar e pela primeira vez que viu o mar. Tinha já uns dez anos. Até ali as férias eram sempre na serra e no rio. A infância primeira era de rio, agua fresca e tardes longas. Mas, depois de conhecer o mar as coisas mudaram. E, eram grandes. O mar mais do que grande era infinito. Era sim. E, era assim. Era assim que seria, escreveria sobre as primeiras vezes de ... a primeira vez que vi o mar me senti pequena. Pequena e sozinha. Só um grão, grão de areia. Minúscula. Por favor, alguém aí. Por favor, me ajude a ver o mar porque em mim não há. Em mim não há espaço e coragem para ver e entender o que é o mar. O que um mar! O mar é um amar? Sandra Brito Fornelos, Sociedade Portuguesa de Psicanálise A atenção dela foi atraída para um pedaço de papel sobre a escrivaninha. Parecia uma nota manuscrita, mas não conseguiu identificar de imediato o conteúdo da mensagem, parecia que estava escrita numa linguagem desconhecida, ou codificada. O que seria aquela mensagem e de onde teria vindo? Numa pesquisa rápida na internet percebeu que se tratava de um dialecto antigo, da cultura Maia, mas não conseguiu perceber de onde teria vindo e como teria ido parar à sua área de trabalho. Desde que assumira este cargo no Museu, tinha contacto com muitos artefactos desconhecidos, e um enorme prazer na descoberta e mo estudo de diferentes épocas e culturas. O estudo e a aprendizagem sempre tinham sido fontes de prazer na sua vida e sentia-se “como peixe na água, nestas suas funções. Desde pequena que a sua curiosidade insaciável a guiava e que se sentia muito confortável entre livros de Históra e objectos antigos. Pensou que talvez algum dos seus colegas tivesse encontrado aquela mensagem enigmática e a tivesse trazido para, juntos, poderem decifrar o seu significado. Os enigmas sempre lhe provocaram um entusiasmo ímpar que a levava em aventuras mais ou menos complicadas (ao estilo Indiana Jones), das quais saía sempre mais rica, mais sábia e mais plena. E este seu gosto era sobejamento conhecido entre os seus pares, que recorriam a ela sempre que surgiam mistérios insolúveis. Onde será que esta nota enigmática a levará desta vez? Marta Russo, Sociedade Portuguesa de Psicanálise A atenção dela foi atraída para um pedaço de papel sobre a escrivaninha. Sem saber como fazê-lo, começou a pensar que tinha de o ler. Tinha de o ler! Durante muitas sessões, ela sempre tomou muita atenção ao gabinete da sua analista. Sabia tudo ao pormenor. Quase que podia dizer quantos centímetros por mês crescia a planta que estava colocada na frente do divã.

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