Primeiro dobrar ao meio sobre o comprido. A sua mente viajou para a varanda que dava para a frente do jardim na sua casa de infância. Era alí que a mãe espalhava papeis e potes com tintas e pinceis nos finais de tarde de Verão. Depois pegar no canto da folha e dobrar sobre a metade. Lembra-se das roseiras com minúsculas rosas pálidas cujos botões eram tão perfeitos, nunca mais viu essas rosas – de Sta teresinha, lembrou-se. Repetir o processo com o outro canto da folha. Muitas vezes nesse jardim brincou com os seus amigos, recorda a fotografia de uma festa de carnaval, ela estava vestida de flor, um fato feito pela mãe, a saia eram pétalas vermelhas de papel crepe, e na fita que lhe prendia os cabelos uma flor da mesma cor. Dobrar a lateral a cerca de um centímetro e meio da dobra central. A mãe conta-lhe que quando se portavam mal, e discutiam entre irmãos, ela a punha a ela e aos irmãos no jardim até resolverem a questão, quando resolvessem poderiam voltar a entrar. Se chovesse era a mãe quem saía. Dobra a lateral do lado oposto. Agora quando visita a casa da infância parece-lhe tão mais pequena, nem parece que ali cabem tantas histórias e tantas brincadeiras. Que belo avião amarelo! Abre a janela. Como quando era criança sobra, com um bafo quente, sobre a ponta do avião. Com ele preso nos dedos da mão direita, dá o impulso que faz o seu avião amarelo como o sol voar. Pega no telemóvel e manda uma mensagem à mãe: “Tenho de encontrar rosas de Sta Teresinha para plantar no meu jardim.” Elena Beatriz Tomasel, Membro efetivo da SPPA (Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre) A atenção dela foi atraída para um pedaço de papel sobre a escrivaninha e ela pensou que era uma chance, pois há anos não escrevia. Pensou que o sinal havia sido lançado. Sinal de papel branco à espera do tanto que poderia viver em momentos instantâneos de sair do real e entrar para a fantasia. Mas, havia um problema: o medo! Teria que iniciar devagar, passo a passo e sem pensar. Escrever como quem anda pelo mar. Sentir a brisa suave das imagens que surgiriam. Perceber se de uma ou outra cena mudavam
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