Writing Workshop at Lisbon Congress

that had taken him so long to write on the table beside him. He cleared his throat and began: ‘I want to thank everyone for being here...’ and he continued, his thanks and gratitude for some of the people were genuine. But he added: ‘More important than the stage that ends today is the one I am about to begin, and that is what I would like to share with you.’ In the end, it was the guests who fell silent until applause began to ring out. He had managed to surprise them. He smiled, moved and satisfied. Sua atenção foi atraída para um pedaço de papel sobre a mesa. Agarrou no papel, era a lista de compras, uma coisa banal, fruta, pão, leite … As compras que a sua mãe já não faria. Era difícil e, ao mesmo tempo reconfortante, estar ali em casa de sua mãe. Podia vê-la a entrar a qualquer momento e a retomar a vida onde esta tinha sido interrompida. A casa estava em ordem, limpa, as flores nas jarras ainda não tinham murchado completamente. Mas a mãe não ia voltar. Há três dias atrás recebera um telefonema de um número desconhecido e atendera: – É a filha de …? - perguntaram. – A angústia invadiu-a imediatamente. Soube que, qualquer que fosse a notícia, não seria boa. – A sua mãe deu entrada no Hospital. Foi encontrada inconsciente na rua. Está em observação. Não sabe como chegou ao Hospital, sabia que seria grave, se não seria a sua mãe que lhe estaria a telefonar, e não alguém do Hospital …. – Se eu conseguir contar até dez antes do semáforo abrir, vai correr tudo bem. – pensava, enquanto conduzia. Sabia que era absurdo, mas não conseguia deixar de ser invadida por pensamentos mágicos… – e se… e se… a minha mãe vai ficar bem. Chegou à Urgência, identificou-se. Pediram-lhe para esperar pelo médico… esperou o que lhe pareceu uma eternidade. Angústia, medo, desamparo, esperança, memórias, um turbilhão de emoções… não conseguia estar quieta. Chega o médico, que lhe diz uma série de coisas técnicas que lhe parecem incompreensíveis. Só ouve o final: – É uma questão de tempo, pode ficar junto da sua mãe. Despeça-se. Despeça-se! Como se faz isso? Sente que o fez, não sabe se muito bem, como sabemos se nos despedimos bem?! E agora, já depois do velório e do funeral, ali estava, em casa da sua mãe, onde ela estava ainda tão presente. Presente na ausência. His attention was drawn to a piece of paper on the table. He picked up the paper; it was a shopping list, a mundane thing, fruit, bread, milk... The shopping his mother would no longer do. It was difficult and, at the same time, comforting to be there in his mother's house. He could see her coming in at any moment and resuming her life where it had been interrupted. The house was tidy, clean, the flowers in the vases had not yet

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