Revista digital Oil & Gas Brasil nº 79

ARTIGO III

Do petróleo ao emprego: a força do offshore na retomada da indústria naval O avanço da produção em águas profundas, os novos contratos da Petrobras e a carteira do Fundo da Marinha Mercante recolocam a construção naval no centro da agenda industrial brasileira.

estrutura marítima e uma extensa cadeia de fornecedores.

A produção própria de óleo no Brasil alcan- çou 2,7 milhões de barris por dia, recorde tri- mestral da companhia. No campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, a produção operada atingiu 1,219 milhão de barris por dia em 26 de junho. A Petrobras classifica Búzios como o maior campo em águas profundas do mundo e informa que o projeto deverá contar com 12 FPSOs. O Plano de Negócios 2026-2030 pre- vê pico de produção de óleo de 2,7 milhões de barris por dia em 2028 e pico de produ- ção total de 3,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2028 e 2029. O contexto internacional reforça o peso do offshore. Segundo a World Oil, a produção em campos de águas profundas nos principais mercados emergentes do setor cresceu 11,2% em 2025 ante 2024, ritmo mais de quatro vezes superior aos 2,3% de expansão da produção mundial de petróleo no mesmo período. A Rystad Energy, por sua vez, aponta o Brasil como líder mundial em produção de hidrocarbonetos em águas profundas e ultraprofundas, à frente de Noruega e Estados Unidos, e projeta aproximadamen- te 600 poços a serem perfurados no país entre 2024 e 2030. Trata-se, portanto, de uma posição relevante em um segmento que exige elevado conteúdo tecnológico, infra-

Em março de 2026, a revista especializada World Oil destacou a aceleração da ativida- de em águas profundas em seis mercados: Brasil, Estados Unidos, Guiana, Nigéria, Angola e Namíbia. Segundo a publicação, o número de poços em águas profundas previsto para esse conjunto de países deveria crescer 20,5% em 2026, ante expansão estimada de 4,8% para a perfuração offshore mundial como um todo. A Namíbia ainda está em fase de desenvolvimento de novos projetos, enquanto os demais países já têm produção ou atividade offshore estabelecida em diferentes graus. Há também sinais de que o mercado brasileiro está atraindo ativos e capacidade operacional. Em prospecto apresentado à Securities and Exchange Commission (SEC) em novembro de 2025, a armadora americana Hornbeck Offshore Services afirmou, com base em dados da Rystad e em informações compi- ladas pela própria empresa, que o número de sondas offshore no Brasil havia chegado a 33 em 2025, 37% acima do nível de 2023. O documento também registrou 12 no- vas encomendas de OSVs por armadores brasileiros e informou que, até outubro de 2025, dez embarcações americanas de alta ou altíssima especificação haviam sido

POR LEANDRO DE CARVALHO HENRIQUE MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS PELO IBMEC E HEAD DE TESOURARIA DA CAMORIM SERVIÇOS MARÍTIMOS S/A

Petrobras encerrou o segundo tri- mestre de 2026 com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 97% em

esteja diante de uma retomada consolidada. Mas mostram que existe uma combinação rara de demanda, escala de produção e instrumentos de financiamento capaz de sustentar um novo ciclo industrial, desde que contratos e crédito se convertam efeti- vamente em obras. O desempenho operacional ajuda a dimen- sionar essa oportunidade. Segundo a Petro- bras, a produção própria de petróleo e gás atingiu 3,34 milhões de barris de óleo equi- valente por dia no segundo trimestre, 14% acima do registrado um ano antes.

relação ao mesmo período de 2025, e EBIT- DA ajustado de R$ 93,8 bilhões, segundo os resultados divulgados pela própria compa- nhia em 6 de agosto. No mesmo ciclo de in- vestimentos, a estatal avançou na renovação da frota de apoio offshore, com encomen- das de embarcações a serem construídas no Brasil.

Os números não autorizam, por si sós, a con- clusão de que a indústria naval brasileira já

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