Revista digital Oil & Gas Brasil nº 79

OFFSHORE

Alinhada com as mudanças no setor O que mudou, nos últimos anos, no perfil das demandas que a indústria de óleo e gás brasileira apresenta ao RINA?

Engenharia para uma indústria em trans- formação

uma demanda elevada por serviços es- pecializados, enquanto novos projetos de gás, combustíveis de baixo carbono e transição energética abrem outras possi- bilidades. Para o RINA, a estratégia passa por traba- lhar nos dois movimentos ao mesmo tem- po: seguir presente nos grandes projetos offshore e levar a mesma experiência técnica para setores que estão surgindo ou ganhando escala. O resultado é uma atuação que já não cabe apenas na antiga definição de uma empresa ligada à classificação naval. O trabalho continua próximo do mar, mas hoje acompanha uma cadeia de energia muito mais ampla.

O portfólio brasileiro do RINA mostra que essa diversificação não está restrita ao SAF. Entre os projetos divulgados pela empresa estão também o controle de qualidade da construção de uma plan- ta de produção de GNL no Maranhão e um estudo sobre alternativas de abas- tecimento de água para a produção de hidrogênio verde no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. No caso do Pecém, o estudo avaliou alternativas para o fornecimento de água industrial, incluindo reuso de efluentes tratados e dessalinização da água do mar. São projetos diferentes, mas que utilizam uma base semelhante de conhecimento: engenharia, avaliação técnica, inspeção, certificação e análise de conformidade. O movimento também aparece na estraté- gia global da companhia. O plano de crescimento do RINA esta- belece a meta de chegar a € 2 bilhões de receita, com expansão em mercados considerados prioritários. A empresa tam- bém aponta Estados Unidos, Reino Unido, América Latina e Oriente Médio como regiões de expansão.

Marcell Chiarelli – Nos últimos anos observamos uma evolução significativa no perfil das demandas da indústria brasileira de óleo e gás. Os clientes continuam buscando serviços tradicionais de engenharia, ins- peção, certificação e gestão de riscos para apoiar projetos cada vez mais complexos, especialmente no ambiente offshore. No en- tanto, hoje existe uma exigência crescente relacionada ao atendimento de requisitos re- gulatórios, padrões internacionais de confor- midade e melhores práticas de governança. Além disso, as questões ambientais e de sus- tentabilidade passaram a ocupar uma posi- ção central nas decisões de investimento e operação. As empresas estão cada vez mais preocupadas em incorporar critérios ESG aos seus processos, reduzir impactos ambientais, melhorar a rastreabilidade de suas cadeias produtivas e demonstrar conformidade com requisitos de descarbonização e sustentabi- lidade exigidos pelo mercado e pelos inves- tidores. Nesse contexto, o RINA tem ampliado sua atuação não apenas no suporte aos

Marcell Chiarelli ,diretor de Desenvolvimento de Negócios para America Latina

As demandas da indústria brasileira de óleo e gás mudaram rapidamente. Além da com- plexidade dos projetos offshore, cresce a exigência por conformidade regulatória, padrões internacionais, eficiência energética e critérios ESG. O RINA acompanha essa vira- da: ampliou sua atuação em certificações de baixo carbono, gestão de ativos, integridade operacional e soluções ligadas à transição energética. Marcell Chiarelli, diretor de Desenvolvimen- to de Negócios para America Latina, detalha os desafios que hoje moldam o setor — da extensão da vida útil dos ativos à redução de emissões — e aponta onde estão as maiores oportunidades de crescimento no Brasil e na região como um todo.

No Brasil, a indústria de óleo e gás conti- nua sendo uma parte importante desse mercado. O avanço do pré-sal mantém Foto: Divulgação

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