Revista digital Oil & Gas Brasil nº 79

OFFSHORE

A transição energética já está alterando decisões de investimento e planejamen- to dentro das empresas brasileiras? Como essa mudança tem aparecido no trabalho do RINA? Marcell Chiarelli – Sem dúvida. A descarbo- nização já deixou de ser uma tendência futu- ra para se tornar uma realidade incorporada ao planejamento estratégico e operacional das empresas. E isso não acontece apenas no setor de óleo e gás, mas em praticamente toda a indústria. As organizações estão cada vez mais buscando formas de reduzir sua pegada de carbono, aumentar a eficiência dos seus processos e desenvolver produtos e serviços com menor impacto ambiental. O que observamos é que essa transformação vem ocorrendo de forma gradual e estrutu- rada, permitindo que as empresas conciliem sustentabilidade e competitividade. Hoje, existe uma percepção cada vez mais clara de que a agenda de descarbonização não representa apenas um compromisso am- biental, mas também uma oportunidade de geração de valor, acesso a novos mercados, atração de investimentos e desenvolvimen- to de novas linhas de negócios associadas aos chamados produtos verdes. Nesse contexto, o Brasil possui uma posição particularmente favorável. Nossa matriz ener- gética já está entre as mais limpas do mundo e contamos com recursos naturais que criam

Nesse ambiente, segurança, produtividade e sustentabilidade deixaram de ser objetivos independentes. As empresas mais competitivas são aquelas capazes de equilibrar esses três fatores, uti- lizando tecnologia, engenharia e gestão de ativos para gerar maior valor ao longo da vida dos projetos.

Outro desafio importante é a redução da intensidade de carbono das operações. O setor tem investido em iniciativas para au- mentar a eficiência energética, reduzir emis- sões de gases de efeito estufa, implementar tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCUS) e incorporar soluções que contribuam para os compromissos de des- carbonização da indústria.

grandes projetos do pré-sal, mas também em iniciativas relacionadas à certificação de combustíveis de baixo carbono, avaliação de desempenho ESG, eficiência operacional e transição energética. Hoje, os clientes procu- ram parceiros que combinem conhecimento técnico, visão regulatória e capacidade de apoiar a transformação sustentável dos seus negócios. Com o avanço dos projetos offshore, quais são hoje os principais desafios técnicos e operacionais que as empresas precisam en- frentar para manter segurança, eficiência e competitividade? Marcell Chiarelli – Os projetos offshore atuais operam em um cenário de crescente complexidade técnica, alta exigência regu- latória e forte pressão por resultados. Nesse contexto, um dos principais desafios é garan- tir a integridade e a confiabilidade dos ativos ao longo de todo o seu ciclo de vida, ma- ximizando a produção e, ao mesmo tempo, assegurando operações seguras e eficientes. Além da manutenção da integridade ope- racional, as empresas estão cada vez mais focadas na extensão da vida útil de plata- formas, sistemas submarinos e demais ativos críticos. Isso exige programas robustos de inspeção, monitoramento, gestão de riscos e avaliação da condição dos equipamentos para garantir desempenho sustentável e evi- tar interrupções não planejadas.

Foto: Divulgação

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