Revista digital Oil & Gas Brasil Nº 74

ENTREVISTA

Quais as principais mudanças e evolução nos últimos 15 anos? RR: Nos últimos 15 anos, a indústria de óleo e gás passou por avanços tecnológicos significativos, impulsionados principalmen- te pelo desenvolvimento do pré-sal, que tem características singulares. Nos FPSOs foi necessário desenvolver topsides maiores, com sistemas de tratamento complexos capazes de tratar hidrocarbonetos com contaminantes e de lidar com altas pressões nos reservatórios. Além disso, a ampliação da vida útil reque- rida pelos contratos elevou a necessidade de cascos mais robustos. Tradicionalmente, muitos FPSOs foram desenvolvidos a partir da conversão de navios VLCC. Porém, em res- posta a esse cenário, a MODEC desenvolveu um projeto de casco novo especificamen- te para atender a esse novo cenário, que é ajustado de acordo com as demandas de cada cliente. O&GB: Em termos de inovação, quais tecnologias ou soluções a MODEC introdu- ziu no upstream brasileiro — seja em FPSOs, sistemas de amarração, processamento de CO₂, digitalização ou eficiência energética? RR: A empresa está constantemente investindo em pesquisa e desenvolvimento, trabalhando ativamente para aprimorar os processos e sistemas em operação e trazer novas tecnologias em respostas às neces- sidades tecnológicas exigidas a cada novo projeto. No pré-sal, fomos pioneiros em desenvolver e operar facilidades para injeção

O produto foi desenvolvido para um FPSO em operação com a TotalEnergies e agora está expandindo para outras unida- des da empresa e além dela. Continuamos implementando essa e outras soluções inovadoras, contribuindo para um caminho mais sustentável para a indústria. Temos diferentes iniciativas em unidades existentes em operação para contribuir com a redução das emissões, tais como: o Smart Flare System, que utiliza mais de 450 senso- res para classificar automaticamente eventos de flare, um projeto piloto de captura de car- bono pós-combustão, otimização contínua da eficiência da cadeia de compressores, reagrupamento de compressores e substi- tuição dos filtros atuais das turbinas a gás para aumentar sua eficiência.

de CO2 e para captura de CO2 em estágio pré-combustão. Nas unidades em operação, implementamos diversas iniciativas para redução significativa da pegada de carbono. Nos projetos mais recentes, temos tecno- logias inovadoras na redução de emissões, como Sistema de Geração de Energia em Ciclo Combinado, sistema de cobertura de gás combustível para tanques de carga sem ventilação periódica durante operações normais e motores elétricos de alta eficiên- cia instalados com variadores de frequência. Importante destacar que o FPSO Bacalhau foi o primeiro FPSO do mundo a receber a Aprovação em Princípio (AiP) para a nota- ção Abate da sociedade classificadora DNV. Esta notação cobre requisitos rigorosos para o sistema de gestão de emissões por barril de óleo produzido e a instalação de medidas substanciais de abatimento a bordo, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa (GEE). O&GB: Os sistemas de ancoragem e amar- ração são um diferencial da MODEC. Como a empresa tem evoluído essas soluções para águas ultraprofundas e ambientes de alta complexidade como o pré-sal? RR: Os sistemas de ancoragem são, de fato, um dos diferenciais da MODEC, que entregava soluções ao mercado através da SOFEC, empresa do grupo que recentemen- te passou a ser uma Unidade de Negócios da MODEC, garantindo a continuidade da mesma qualidade, desempenho e confiabi- lidade dos sistemas de amarração oferecidos há mais de 50 anos. Os desafios impostos

pelos projetos do Brasil foram fundamentais para evoluirmos nesse período na busca por novas soluções para águas cada vez mais profundas. O&GB: A transição energética já influen- cia o desenho dos novos FPSOs. Como a MODEC está incorporando redução de emissões, eletrificação, captura de CO₂ e outras tecnologias de baixo carbono em seus projetos brasileiros? RR: A MODEC vem mapeando iniciativas que diminuem as emissões em seus FPSOs. No campo de tecnologias digitais, uma delas é o Shape Aura, software da Shape Digital (empresa do grupo), que otimiza o consumo energético e emissões através de inteligên- cia artificial, gerando recomendações para a equipe offshore.

Foto: Divulgação

30

31

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

Made with FlippingBook Ebook Creator