ROYALTIES
O crescimento econômico veio acompanha- do por uma forte expansão demográfica. Segundo dados do IBGE, Macaé tinha pouco mais de 75 mil habitantes em 1980. Quatro décadas depois, a população ultrapassava 260 mil moradores — um crescimento de 246%. Poucos municípios brasileiros registra- ram uma transformação tão rápida em um intervalo de tempo relativamente curto. O aumento da população refletia a capaci- dade de atração da indústria petrolífera. Pro- fissionais qualificados chegavam para ocupar postos técnicos e gerenciais. Trabalhadores de diversas áreas migravam em busca de oportunidades geradas direta ou indireta- mente pelo setor. A economia local passou a girar em torno da atividade offshore. Esse processo trouxe riqueza, mas também desafios. O crescimento urbano ocorreu em velocidade superior à capacidade de plane- jamento em diversos momentos. A expan- são de bairros, a pressão sobre os serviços públicos e as demandas por mobilidade, habitação e saneamento tornaram-se temas permanentes na agenda municipal.
À medida que a produção aumentava, a cidade crescia junto.
Esses ativos, principalmente os operados pela Petrobras e que estão incluídos no plano de revitalização da bacia de Campos, reforçam a importância histórica da cidade como base operacional da bacia de Cam- pos, garantindo que Macaé continue sendo beneficiada mesmo em um cenário de tran- sição da produção nacional para o pré-sal.
No período, a PE total arrecadada pelos concessionários somou R$ 10,4 bilhões, e Macaé recebeu sua parcela proporcio- nal a partir desses campos, que juntos movimentaram valores expressivos: Marlim registrou R$ 72,0 milhões, Marlim Leste R$ 25,2 milhões, Marlim Sul R$ 70,6 milhões e Peregrino R$ 66,8 milhões.
Nos anos 1980, quando a bacia de Campos consolidou sua posição como principal pro- víncia petrolífera do país, Macaé já começava a mudar de perfil. Trabalhadores especializa- dos chegavam para atuar em plataformas, embarcações e bases operacionais. Empresas de engenharia, manutenção, logís- tica e transporte instalavam escritórios para atender às demandas da Petrobras. Hotéis, restaurantes e serviços se multiplicavam para acompanhar a nova dinâmica econômica. O ritmo acelerou ainda mais nas décadas seguintes. A exploração em águas profundas transformou a bacia de Campos em uma referência mundial, e Macaé passou a con- centrar boa parte da estrutura necessária para sustentar essa operação. O município tornou-se sede de empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia de petróleo e gás. Fabricantes de equipa- mentos, prestadores de serviços submarinos, operadoras de helicópteros, companhias de apoio marítimo e fornecedores de tecno- logia passaram a integrar um ambiente de negócios que movimentava bilhões de reais todos os anos. A cidade ganhou um apelido que se tornaria parte de sua identidade: Capital Nacional do Petróleo.
50 anos de protagonismo
A decisão parecia técnica, mas seus efeitos seriam profundos e duradouros.
Salto econômico
A história dessa transformação está dire- tamente ligada à bacia de Campos. Foi a descoberta de petróleo em escala comercial na região, a partir da década de 1970, que alterou definitivamente o destino de Macaé. A Petrobras escolheu o município como base para apoiar as operações offshore que começa- vam a se expandir no litoral norte fluminense.
A partir daquele momento, Macaé passou a ocupar uma posição estratégica dentro da indústria petrolífera brasileira. O município reunia condições logísticas favoráveis, loca- lização próxima aos campos marítimos e es- paço para receber a infraestrutura necessária ao crescimento das operações.
Mesmo assim, o saldo econômico era am- plamente favorável. Durante os anos 1990 e 2000, Macaé viveu um período de prospe- ridade raramente observado em cidades de porte semelhante. O mercado imobiliário experimentou forte valorização.
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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