ROYALTIES
No Brasil, a Operação Lava Jato provocou uma profunda reestruturação no setor, afetando empreiteiras, fornecedores e a própria Petrobras. Ao mesmo tempo, a estatal iniciou um amplo programa de desin- vestimentos, vendeu ativos, reduziu custos e concentrou recursos em projetos considera- dos mais rentáveis.
A presença da Petrobras e de grandes ope- radoras impulsionava uma extensa cadeia de fornecedores. O aeroporto de Macaé tornou-se uma das principais bases de trans- porte de trabalhadores para plataformas marítimas, chegando a registrar mais de 30 mil embarques mensais em períodos de pico. O Porto de Imbetiba consolidou sua importância logística, movimentando centenas de operações diárias. Empresas de apoio offshore operavam em ritmo intenso para atender às demandas da produção em alto-mar. A própria imagem da cidade passou a ser associada à indústria. Eventos especializa- dos ajudaram a fortalecer essa identidade. A Brasil Offshore, realizada em Macaé desde 2003, transformou-se em uma das principais feiras do setor no país, reunindo empresas, fornecedores e profissionais ligados à explo- ração e produção de petróleo.
Diferentemente de cidades cuja arrecadação dependia principalmente das transferên- cias relacionadas à produção de petróleo, Macaé construiu uma economia diretamente conectada à operação da indústria. Empresas instalavam bases, contratavam trabalhadores, alugavam imóveis, utilizavam serviços locais e geravam uma atividade eco- nômica muito mais ampla do que a simples distribuição de receitas petrolíferas. Essa ca- racterística diferenciava o município de boa parte das cidades beneficiadas pelo petró- leo. No auge da bacia de Campos, era difícil encontrar um segmento econômico local que não estivesse, de alguma forma, ligado ao setor de óleo e gás.
O setor hoteleiro se expandiu para atender profissionais que viajavam constantemente entre bases operacionais e plataformas. O comércio acompanhou o aumento da renda e da população. Os royalties do petróleo tiveram papel importante nesse processo. Os recursos provenientes da produção offshore am- pliaram significativamente a capacidade de investimento do município. Obras de infra- estrutura, equipamentos públicos e serviços passaram a contar com receitas que poucos municípios brasileiros possuíam.
Mas a verdadeira força econômica de Macaé não estava apenas nos royalties.
Para Macaé, os efeitos foram imediatos. Em- presas diminuíram suas operações, contratos deixaram de ser renovados, escritórios foram fechados e milhares de postos de trabalho desapareceram. A produção da bacia de Campos caiu mais de 30% entre 2014 e 2017, segundo séries históricas da ANP. O mercado imobiliário, que durante anos havia convivido com alta demanda e valori- zação constante, passou a registrar aumento da oferta de imóveis e queda nos preços de locação. Hotéis que antes operavam próximos da lotação enfrentaram redução
Mudança de ciclo
Durante muitos anos, parecia difícil imagi- nar um cenário em que esse protagonismo pudesse ser questionado. Mas a indústria do petróleo sempre foi marcada por ciclos. E, em meados da década passada, o ciclo co- meçou a mudar. A partir de 2014, uma combinação de fatores atingiu em cheio a indústria de petróleo e gás. A forte queda do preço internacional do barril reduziu investimentos em diversos países.
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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