A Revista digital Oil & Gas Brasil passa a apresentar uma nova estrutura gráfica e digital, para atender melhor essas demandas. A principal mudança está no formato edi torial, que deixa de ser horizontal e passa a ser vertical, padrão amplamente utiliza do por publicações no Brasil e no exterior. Trata-se de um formato consolidado, que facilita a leitura, possibilita organizar melhor o conteúdo e amplia a compatibilidade com diferentes plataformas de visualização. Essa alteração tem impacto direto na área comercial. No modelo anterior, a inserção de anúncios exigia, muitas vezes, o desen volvimento de artes específicas, diferentes dos padrões normalmente utilizados pelas áreas de marketing e agências. Com o novo formato, a revista passa a trabalhar com dimensões já consolidadas no mercado, tor nando o processo de inserção mais simples, rápido e menos oneroso para quem anuncia.
Edição 78 Julho de 2026
MACAÉ: capital do petróleo diante de um novo ciclo
OS LIMITES DO GAS RELEASE : liberalização sem solução estrutural por Leonardo Mosimann Estrella IA E COMÉRCIO EXTERIOR: o fator decisivo para a competitividade do setor de óleo e gás por André Barros PETROBRAS celebra início das operações do Centro Tecnológico para o Pré-sal brasileiro, em Itajubá (MG) LICITAÇÃO DA FPSO P-88 se aproxima, 11 empresas foram pré-qualificadas
ENTREVISTA EXCLUSIVA Carlos Mastrangelo e Jorge Mitidieri, autores do livro’ FPSO - legado offshore’ O GRANDE LEGADO
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
SUMÁRIO
EDITORIAL
14 LOGÍSTICA
O legado offshore
VAST ANUNCIA EXTENSÃO DE CONTRATO COM A PETRONAS BRASIL ATÉ O FIM DE 2027
Revista digital Oil & Gas Brasil e Guia Oil & Gas Brasil são publicações exclusivas da MJB Edito- res Associados. Diretora: Renata Soares Reportagem: Flâvia Vaz, Julia Vaz e Fabiano Reis Editora: Flávia Vaz Comercial: lrys Lima/ Leandro Jesus Diagramação: MJB Editores Associados Fotos: Banco de imagens da Petrobras, Ag. Petrobras, ANP e Redação. Circulação: Mensal envio para + 40 mil e-mails. As matérias jornalísticas e artigos assinados em Revista digital Oil & Gas Brasil somente poderão ser reproduzidos, pardal ou Integralmente, mediante autorizaç o da diretoria. Os artigos assinados não re- fletem necessariamente a opinião da Revista digital Oil & Gas Brasil. A revista é dirigida a empresários, executivos, engenheiros, geólogos, técnicos, pes- quisadores, fornecedores, prestadores de serviços e compradores do mercado petrolífero brasileiro. 05 ........................... Editorial 06 ........................ Contrato 08 .......................... Offshore 12 .......................... Pré-Sal 16 .......................... Logística 18 .......................... Royalties 36 .......................... Offshore 40 ............................ Estaleiro 58 .................... Comunicado 73 ........................ Gás Natural 76 .......................... Offshore 78 .......................... Offshore 80 .......................... Empresas
Brasil vive um dos momentos mais robustos da história do seu setor de óleo e gás. A produção cresce de
Uma posição conquistada também pelas operações em águas profundas, iniciadas há 50 anos, e que avançou graças à disseminação do uso de FPSOs, como mostra a dupla entrevista com Carlos Mastrangelo e Jorge Mitidieri, auto- res de FPSO – Legado Offshore, que resgata a história dessa revolução silenciosa. Eles revelam como os FPSOs deixaram de ser navios adaptados para se tornarem sistemas complexos, integrados e capazes de operar por décadas no mar. Falam das rupturas tecnoló- gicas, das escolhas controversas que o tempo confirmou, da importância da governança e da necessidade de simplificar projetos cada vez mais complexos. É um mergulho no passado, no presente e no futuro das unidades que hoje sustentam a produção brasileira. A edição se completa com artigos que ampliam esse panorama: “Macaé: Capital do Petróleo diante de um novo ciclo”, analisando a evolução econômica e operacional do muni- cípio, e o box “Rio das Ostras — a vizinha que cresceu na mesma onda”, mostrando como a cidade acompanhou e se transformou com o ciclo offshore. O Brasil chega a 2026 com uma indústria offshore mais robusta, mais integrada e mais estratégica do que nunca. A produção cresce, os FPSOs evoluem, novas fronteiras se abrem — da Margem Equatorial à bacia de Pelotas — e o país reafirma sua posição como líder global em águas profundas.
28 ENTREVISTA EXCLUSIVA O GRANDE LEGADO
forma contínua, sustentada por operações offshore que já respondem por 98,1% do petró- leo e 87,6% do gás natural produzido no país. Os números mais recentes reforçam essa posição: em junho a produção foi de 4,475 milhões de barris/dia de petróleo, com alta mensal de 4% e anual de 19,1%, além de 217,35 milhões de m³/dia de gás, crescendo 5,5% no mês e 19,7% no ano. É um ciclo que consolida o Brasil como potência global em águas profun- das. Uma trajetória que começou a ser construí- da na bacia de Campos, que colocou Macaé definitivamente no mapa energético nacional. A cidade, tema da matéria de capa, transfor- mou-se na Capital do Petróleo, sustentando por décadas a logística, a operação e a forma- ção de profissionais que moldaram a indústria offshore brasileira. Mesmo com a produção crescente do pré-sal, que responde por mais de 82% do total, estra- tegicamente localizada próxima às operações na nova fronteiras nas duas grandes bacias produtoras (Santos e Campos), Macaé mantém sua posição, impulsionada pela revitalização dos campos maduros e pela chegada de novas operadoras.
48 ARTIGO I
IA E COMÉRCIO EXTERIOR: O FATOR DECISIVO PARA A COMPETITIVIDADE DO SETOR DE ÓLEO E GÁS
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COLUNISTA JORGE LUIZ MITIDIERI
FPSO EXPO 2027
74 COLUNISTA ROBERTO SILVA SONILS: UMA REFERÊNCIA EM LOGÍSTICA OFFSHORE NO ATLÂNTICO SUL
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CONTRATO
Oceaneering e Petrobras ampliam acordo por mais quatro anos para ROVs A Oceaneering e a Petrobras, ampliaram sua colaboração com um contrato de quatro anos para serviços de veículos operados remotamente (ROVs).
pós um processo de licitação com- petitivo, a Oceaneering foi selecio- nada para fornecer serviços de ROV
A Oceaneering está presente no Brasil há quase três décadas e, por meio da MPS, opera diversas instalações, incluindo um centro para ROVs, levantamentos, ferramentas de inter- venção submarina e soluções de engenharia, além de um centro de operações remotas em terra (OROC) em Macaé e uma fábrica de umbilicais em Niterói. No final do verão de 2025, a MPS garantiu vários contratos de robótica submarina com a Petrobras, cada um com duração de quatro anos e opções de prorrogação, com diversas datas de início no terceiro e quarto trimestres de 2025 e no primeiro trimestre de 2026. Os escopos incluem suporte de ROV (veícu- lo operado remotamente) para atividades de inspeção, manutenção e reparo (IRM) e descomissionamento, bem como serviços relacionados a posicionamento de superfície e submarino, conexões de FPSO (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás), inspeções de amarração e instalações de estacas. Além disso, a Oceaneering anunciou no início deste ano que realizou a primeira operação de pilotagem de um ROV em uma plataforma de perfuração na costa do Brasil, a partir de sua plataforma OROC para a Petrobras.
(veículo operado remotamente) para a Petrobras, com início das operações previsto para 2027. O escopo abrange o fornecimento de dois ROVs de classe de trabalho e pacotes de ferramentas especializadas, além da realização de operações de monitoramento e suporte ao posicionamento, a serem executadas pela equipe local da empresa. Os sistemas ROV serão implantados a partir do navio de apoio à engenharia submarina (SESV) Aker Wayfarer, da AKOFS Offshore, contratado pela Petrobras para serviços de intervenção, instalação e apoio ao abandono de instalações. Simão Silva, Country Manager da Oceaneering no Brasil, afirmou: “Estamos satisfeitos em for- talecer nosso relacionamento de longa data com a Petrobras por meio desta conquista. Ela reforça nosso papel como um provedor confi- ável de serviços submarinos no Brasil e agrega visibilidade a longo prazo em um importante mercado de águas profundas. Agradecemos a confiança da Petrobras em nossa capacidade de fornecer soluções líderes do setor para operações offshore complexas.”
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OFFSHORE
Karoon impulsiona a produção de petróleo em seu campo no Brasil com todos os poços em operação
Karoon confirmou a retomada da produção do poço PRA-2 no campo de Baúna, após a conclusão de uma
Felizmente, desde a campanha de revitaliza- ção da FPSO, a FPSO Baúna tem apresentado um desempenho na extremidade superior da faixa de eficiência operacional almejada de 90-95%.” A empresa afirma que isso representa mais um passo rumo a uma maior produção, menores despesas de capital e uma geração de fluxo de caixa mais robusta no segundo semestre, desde que os preços do petróleo e o desempenho operacional permaneçam em linha com as expectativas. Lockhart sublinhou: “Ao entrarmos no segundo semestre de 2026, nossa base de custos baixa, o ponto de equilíbrio operacional atrativo e o perfil de produção posicionam a empresa para gerar altas mar- gens de fluxo de caixa, fortalecendo ainda mais nosso balanço patrimonial e apoiando a alocação disciplinada de capital e a criação de valor para os acionistas a longo prazo.”
intervenção para reconectar o umbilical e restabelecer a conectividade com a bomba submersível elétrica. A FPSO Cidade de Itajaí está operando no campo. Embora o cabo umbilical do poço tenha se desconectado inesperadamente da FPSO em outubro de 2025, o poço PRA-2 voltou a operar em 6 de julho de 2026. Atualmente, o poço está produzindo entre 1.000 e 1.200 barris de petróleo por dia (bopd). Como resultado, a produção total do projeto Baúna é de aproximadamente 22.000 barris de petróleo por dia (bopd), incluindo a con- tribuição de aproximadamente 8.600 bopd do poço SPS-92. A operadora enfatizou que todos os poços de produção associados ao projeto já estão em operação. Carri Lockhart, CEO e diretora-geral da Ka- roon, comentou: “No primeiro semestre de 2026, nos comprometemos a retomar a produção e fortalecer o desempenho e a confiabilidade dos ativos de Baúna. Cumpri- mos esses compromissos com segurança e dentro do prazo previsto.” “Com a conclusão dos principais programas de obras de capital de Baúna, a Karoon está entrando em uma fase de otimização de de- sempenho e maximização do valor desses investimentos.
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OFFSHORE
Constellation alcança paridade de gênero pela segunda vez consecutiva em programa de trainees offshore Programa recebeu mais de 24 mil inscrições de oito estados do país.
desenvolvimento prático
Além disso, fazer parte de uma turma com 50% de mulheres torna essa experiência ainda mais especial e mostra o compromisso da empresa com a diversidade”, afirma Ana Julia da Silva, trainee de Perfuração da turma atual. Quase duas décadas formando lideranças técnicas Criado em 2008, o Programa Trainee Offshore é estratégico para a sustentabilida- de do negócio por acelerar a formação de profissionais para posições críticas nas áreas de Perfuração, Operações Submarinas (Subsea) e Manutenção. Em oito edições, cerca de 150 profissionais passaram pelo programa.
A jornada dos trainees prevê aproximada- mente 640 horas de treinamento especializa- do e cerca de 21 meses de desenvolvimento prático nas unidades offshore da companhia. Os trainees já iniciaram a etapa de Funda- mentação Teórica na base da empresa em Rio das Ostras (RJ), primeira fase de um percurso que combina formação técnica intensiva e vivência real nas operações. “Minhas expectativas para o Programa Trainee Offshore são muito altas. Desde a seleção, ficou claro o lado humano da Constellation e o cuidado com o nosso desenvolvimento.
Constellation, deu início neste mês à formação da nova turma do seu Programa Trainee Offshore e, pela
de formação de talentos do setor de óleo e gás, o programa foi desenhado para acele- rar o desenvolvimento de profissionais que atuarão em um ambiente de elevado nível técnico, disciplina operacional e compromis- so permanente com a segurança. “O Programa Trainee Offshore é um dos principais pilares da nossa estratégia de desenvolvimento de pessoas e sucessão técnica. Estamos formando profissionais que serão responsáveis por operar ativos cada vez mais complexos nos próximos anos. Ao mesmo tempo, buscamos ampliar o acesso a essas oportunidades, atraindo talentos com diferentes experiências, origens e perspectivas, porque acreditamos que equipes mais diversas tornam nosso negócio mais forte e prepara- do para o futuro”, afirma Silvia Nunes Ruggeri, diretora de Pessoas e TI da Constellation. 640 horas de capacitação e 21 meses de
segunda edição consecutiva, com paridade de gênero: 50% das vagas foram ocupadas por mulheres, meta estabelecida pela com- panhia para ampliar a diversidade em um segmento historicamente marcado pela bai- xa participação feminina. Os 16 profissionais selecionados vêm de oito estados brasileiros — Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe — e foram escolhidos em um processo seletivo que atraiu mais de 24 mil candidatos, dos quais 3.290 mulheres. Para marcar o início da jornada, a companhia realizou uma cerimô- nia de boas-vindas em Macaé (RJ), com a presença da Diretoria. Considerado um dos principais pipelines
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PRÉ-SAL
Petrobras celebra início das operações do Centro Tecnológico para o Pré-sal brasileiro, em Itajubá (MG) Com investimento de R$ 300 milhões em P&D, o CTPB é instalação única no mundo e peça estratégica no desenvolvimento do projeto HISEP.
tecnologia e parceria institucional em torno de um desafio estratégico para o Brasil. “Para a nossa universidade, é uma honra contribuir com a Petrobras e com o Consórcio de Libra nessa jornada. Este centro fortalece nossa vocação para a pesquisa aplicada e abre novas fronteiras para a formação de pesqui- sadores e engenheiros de altíssimo nível.”
Company e CNOOC China National Offsho- re Oil Company), com recursos decorrentes da determinação brasileira de promover a pesquisa e a inovação no país. “Ter uma instalação como essa em solo brasileiro, capaz de simular as condições re- ais dos nossos campos do pré-sal do nosso reservatório, é resultado direto do compro- misso da Petrobras com a inovação e com o desenvolvimento tecnológico nacional. É com orgulho que vemos esse investimento se transformar em capacidade real de gera- ção de conhecimento e de valor para o país “, disse a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi. Para o reitor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Marcel Parentoni (UNIFEI), a presença do CTPB na UNIFEI é a concre- tização de um projeto que une ciência,
Tecnologia e soberania para o pré-sal
O centro tecnológico é peça estratégica no desenvolvimento do projeto HISEP (Sistema de Separação Submarina de Alta Pressão), uma tecnologia desenvolvida pela Petrobras que promove a separação submarina ainda no fundo do mar, permitindo reinjetar gás rico em CO₂ no reservatório e aumentar a produção com menor emissão de carbono e maior eficiência operacional no pré-sal. Em 2023, a Petrobras testou com sucesso a primeira bomba de fase densa com arquite- tura submarina fabricada e testada no Brasil — feito que rendeu ao Consórcio o Prêmio de Inovação Tecnológica da ANP na catego- ria de sistemas submarinos. Para o segundo semestre de 2026, estão previstos os testes finais de qualificação das bombas no CTPB. “Este é mais do que um marco tecnológico: é a materialização de uma escolha estratégi- ca da Petrobras e de seus parceiros em Libra de investir em inovação, desenvolver conhe- cimento de ponta no Brasil e transformar desafios extremos em soluções tecnológicas transformadoras”, concluiu a diretora de Exploração e Produção, Geóloga, Sylvia Anjos.”
vimento (P&D) da Petrobras e dos parceiros do Consórcio de Libra (Shell Brasil, Total Energies, CNPC China National Petroleum
Petrobras celebrou, no ultimo dia (03/07), início do mês, o início das operações do Centro Tecnológico
para o Pré-sal Brasileiro (CTPB), instalado na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais. A cerimônia reuniu cerca de 80 participantes, entre gestores da companhia, representantes do Consórcio de Libra e dos principais fornecedores, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Poder Público Federal. O CTPB é uma planta de processo em escala semi-industrial considerada uma das mais modernas do mundo em sua categoria e a única com capacidade de reproduzir as con- dições operacionais do pré-sal brasileiro — altas pressões, altas temperaturas e alto teor de CO₂. O centro foi viabilizado por um investimento de R$ 300 milhões em Pesquisa e Desenvol-
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LOGÍSTICA
Vast anuncia extensão de contrato com a PETRONAS Brasil até o fim de 2027 Renovação reforça parceria iniciada em 2023 e consolida a confiança na infraestrutura e na eficiência operacional da companhia.
Vast Infraestrutura, empresa respon- sável pelo Terminal de Petróleo no Porto do Açu (T-Oil), anuncia a ex-
cional e alta confiabilidade para atender às demandas do mercado internacional. Cooperação também inclui projeto de gestão e conservação de aves marinhas A Vast e a PETRONAS Brasil também man- têm parceria em projeto de conservação de aves marinhas em terminais portuários, que visa desenvolver e validar uma metodologia replicável de gestão e monitoramento que possibilite a coexistência da reprodução de espécies ameaçadas com as operações portuárias. O modelo é baseado no Proje- to Aves do Açu, uma iniciativa voluntária já realizada pela Vast Infraestrutura que contou com o apoio da PETRONAS Brasil em 2024. Até o momento, aproximadamente 484 ninhos de trinta-réis-de-bico-vermelho foram identificados, monitorados e protegi- dos no terminal. Além disso, a partir de 2024, foi registrada a formação de uma colônia de reprodução de trinta-réis-de-bico-amarelo. Desde então, tem sido possível conciliar a reprodução de cerca de 6.500 indivíduos desta espécie com as atividades operacio- nais no T-Oil. A nova fase do projeto inclui a integração de múltiplas frentes de pesquisa, tais como parâmetros reprodutivos e demográficos, dinâmica espacial e padrões de migração, ecologia trófica e o status sanitário das aves, uma abordagem inédita no Brasil.
tensão de seu contrato de transbordo com a PETRONAS Brasil até o final de 2027. A reno- vação amplia uma parceria iniciada em 2023 e reforça o papel da Vast como provedora de soluções logísticas para uma das principais companhias globais de energia. “A extensão do contrato representa o forta- lecimento de uma parceria construída com base na confiança, na excelência opera- cional e na capacidade da Vast de oferecer soluções logísticas seguras e eficientes. Essa renovação reforça nosso compromisso em apoiar nossos clientes com uma infraestrutu- ra de classe mundial e confirma a relevância estratégica do nosso terminal para o escoa- mento da produção brasileira de petróleo”, afirma Victor Bomfim, CEO da Vast. A renovação ocorre em um momento de crescimento do volume de exportação de petróleo através do Porto do Açu. Em 2025, a Vast movimentou 30,6 milhões de toneladas de petróleo destinadas ao mercado externo. Com esse volume, o terminal respondeu por 48% de todo o petróleo bruto exportado por meio de terminais brasileiros, mantendo a liderança nacional nesse segmento. Esse desempenho consolida a Vast como um dos principais parceiros logísticos da indústria de óleo e gás no Brasil, oferecendo infraestrutura robusta, segurança opera-
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LICITAÇÃO
Licitação da FPSO P-88 se aproxima, 11 empresas foram pré-qualificadas A licitação para contratação do novo FPSO do campo de Albacora, na Bacia de Campos, está com a abertura dos envelopes estava programada para hoje 10 de agosto.
O conteúdo local será de 20%, em linha com o percentual utilizado nas áreas da Rodada Zero. A plataforma só deve entrar em opera- ção após 2030. Albacora está a cerca de 110 km a leste do Cabo de São Tomé, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Atualmente, a produção do campo acontece por meio das plataformas P-25, do tipo SS (Semi Submersí- vel), e P-31, do tipo FPSO. A malha de escoamento de óleo da P-25 é constituída por um oleoduto que interliga a unidade à P-31. A nova plataforma do cam- po será usada para viabilizar a produção do reservatório de Forno, localizado no pré-sal, ao sul de Albacora.
O FPSO receberá a produção de poços de petróleo submarinos e deverá possuir instalações de processamento para tratar os fluidos, estabilizá-los e separar a água produ- zida e o gás natural. Os líquidos processados serão medidos, armazenados nos tanques de carga do navio e transferidos para petro- leiros aliviadores. O gás produzido, contendo CO₂ e H₂S, deverá ser comprimido, desidratado, trata- do e utilizado como gás combustível e para elevação da produção de petróleo. O gás remanescente será exportado para o continente. O projeto contempla um layout submarino com até 25 poços, sendo 15 de produção e outros 10 para injeção de água.
Uma mudança significativa que sinaliza a intenção de compartilhar riscos enquanto desbloqueia a expertise operacional do setor privado. Conheça as 11 empresas que foram pré- -qualificadas:
MODEC (Japão) SBM Offshore (Holanda) BW Offshore (Bermuda) Yinson (Malásia)
sta será a segunda tentativa da Petrobras para contratar a nova plataforma de Albacora. A primeira
MISC (Malásia) Saipem (Itália) Shapoorji Pallonji (Índia) CNOOC Energy Technology (China) + COOEC (China) Ocyan (Brasil) + Altera Infrastructure (Brasil) A plataforma terá capacidade para produzir 120 mil barris de petróleo ao dia e vida útil projetada de pelo menos 20 anos. A uni- dade será ancorada em águas offshore, em uma localização com profundidade de 670 metros.
concorrência, no modelo de afretamento, recebeu propostas da BW Offshore e Ocyan, mas terminou sem sucesso nas negociações de preço. Nesta nova licitação, a modalidade escolhi- da foi a BOT (Build Operate Transfer), pela qual a licitante vencedora vai operar o navio durante um determinado período e depois transferirá a responsabilidade para a Petrobras.
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ROYALTIES
Macaé: capital do petróleo diante de um novo ciclo
Somadas, essas receitas ultrapassam R$ 1,17 bilhão em apenas seis meses — um volu- me que reforça a relevância econômica do município mesmo em um cenário de mu- danças na geografia da produção nacional. Royalties mês a mês (ANP – 1º semestre de 2026)
urante décadas, quem desembar- cava em Macaé tinha a sensação de chegar a uma cidade em perma-
nente transformação. Guindastes domina- vam a paisagem, novos empreendimentos surgiam a cada ano e profissionais de todas as regiões do país desembarcavam em busca de oportunidades criadas pela expan- são da indústria offshore. O município que, até os anos 1970, tinha sua economia baseada na pesca, na agricultu- ra e em um comércio de alcance regional, tornou-se o principal centro operacional da indústria de petróleo e gás do Brasil nas últimas duas décadas do século passado. Hoje, Macaé vivencia um novo ciclo, tanto pela produção crescente dos campos do pré-sal que estão na bacia de Campos, como pela revitalização de ativos emblemáticos. E a despeito de Campos ser uma bacia madura, Macaé continua sendo uma das ‘captais dos royalties’. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes ao primeiro semestre de 2026, Macaé recebeu R$ 826.785.067,86 em royalties (até 5% + excedentes), além de R$ 344.332.720,45 destinados à Educação e Saúde pela partilha das Leis nº 7.990/89 e nº 9.478/97.
Por Fabiano Reis
Janeiro: R$ 99.868.383,85 Fevereiro: R$ 114.584.052,93 Março: R$ 119.929.977,96 Abril: R$ 109.530.573,90 Maio: R$ 183.531.078,92 Junho: R$ 199.341.000,30
O salto entre abril e maio — mais de 67% — reflete o avanço das campanhas de revitalização de poços na bacia de Campos e a entrada de novas operadoras em ativos maduros em 2026, ano marcado por forte retomada operacional na região. Essa relevância também se confirma na distribuição da Participação Especial (PE), que reforça o papel de Macaé dentro da indústria. No 1º trimestre de 2026, o município rece- beu PE proveniente de quatro campos ma- rítimos da bacia de Campos: Marlim, Marlim Leste, Marlim Sul e Peregrino — todos com confrontação territorial que garante repasse direto à cidade.
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O crescimento econômico veio acompanha- do por uma forte expansão demográfica. Segundo dados do IBGE, Macaé tinha pouco mais de 75 mil habitantes em 1980. Quatro décadas depois, a população ultrapassava 260 mil moradores — um crescimento de 246%. Poucos municípios brasileiros registra- ram uma transformação tão rápida em um intervalo de tempo relativamente curto. O aumento da população refletia a capaci- dade de atração da indústria petrolífera. Pro- fissionais qualificados chegavam para ocupar postos técnicos e gerenciais. Trabalhadores de diversas áreas migravam em busca de oportunidades geradas direta ou indireta- mente pelo setor. A economia local passou a girar em torno da atividade offshore. Esse processo trouxe riqueza, mas também desafios. O crescimento urbano ocorreu em velocidade superior à capacidade de plane- jamento em diversos momentos. A expan- são de bairros, a pressão sobre os serviços públicos e as demandas por mobilidade, habitação e saneamento tornaram-se temas permanentes na agenda municipal.
À medida que a produção aumentava, a cidade crescia junto.
Esses ativos, principalmente os operados pela Petrobras e que estão incluídos no plano de revitalização da bacia de Campos, reforçam a importância histórica da cidade como base operacional da bacia de Cam- pos, garantindo que Macaé continue sendo beneficiada mesmo em um cenário de tran- sição da produção nacional para o pré-sal.
No período, a PE total arrecadada pelos concessionários somou R$ 10,4 bilhões, e Macaé recebeu sua parcela proporcio- nal a partir desses campos, que juntos movimentaram valores expressivos: Marlim registrou R$ 72,0 milhões, Marlim Leste R$ 25,2 milhões, Marlim Sul R$ 70,6 milhões e Peregrino R$ 66,8 milhões.
Nos anos 1980, quando a bacia de Campos consolidou sua posição como principal pro- víncia petrolífera do país, Macaé já começava a mudar de perfil. Trabalhadores especializa- dos chegavam para atuar em plataformas, embarcações e bases operacionais. Empresas de engenharia, manutenção, logís- tica e transporte instalavam escritórios para atender às demandas da Petrobras. Hotéis, restaurantes e serviços se multiplicavam para acompanhar a nova dinâmica econômica. O ritmo acelerou ainda mais nas décadas seguintes. A exploração em águas profundas transformou a bacia de Campos em uma referência mundial, e Macaé passou a con- centrar boa parte da estrutura necessária para sustentar essa operação. O município tornou-se sede de empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia de petróleo e gás. Fabricantes de equipa- mentos, prestadores de serviços submarinos, operadoras de helicópteros, companhias de apoio marítimo e fornecedores de tecno- logia passaram a integrar um ambiente de negócios que movimentava bilhões de reais todos os anos. A cidade ganhou um apelido que se tornaria parte de sua identidade: Capital Nacional do Petróleo.
50 anos de protagonismo
A decisão parecia técnica, mas seus efeitos seriam profundos e duradouros.
Salto econômico
A história dessa transformação está dire- tamente ligada à bacia de Campos. Foi a descoberta de petróleo em escala comercial na região, a partir da década de 1970, que alterou definitivamente o destino de Macaé. A Petrobras escolheu o município como base para apoiar as operações offshore que começa- vam a se expandir no litoral norte fluminense.
A partir daquele momento, Macaé passou a ocupar uma posição estratégica dentro da indústria petrolífera brasileira. O município reunia condições logísticas favoráveis, loca- lização próxima aos campos marítimos e es- paço para receber a infraestrutura necessária ao crescimento das operações.
Mesmo assim, o saldo econômico era am- plamente favorável. Durante os anos 1990 e 2000, Macaé viveu um período de prospe- ridade raramente observado em cidades de porte semelhante. O mercado imobiliário experimentou forte valorização.
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No Brasil, a Operação Lava Jato provocou uma profunda reestruturação no setor, afetando empreiteiras, fornecedores e a própria Petrobras. Ao mesmo tempo, a estatal iniciou um amplo programa de desin- vestimentos, vendeu ativos, reduziu custos e concentrou recursos em projetos considera- dos mais rentáveis.
A presença da Petrobras e de grandes ope- radoras impulsionava uma extensa cadeia de fornecedores. O aeroporto de Macaé tornou-se uma das principais bases de trans- porte de trabalhadores para plataformas marítimas, chegando a registrar mais de 30 mil embarques mensais em períodos de pico. O Porto de Imbetiba consolidou sua importância logística, movimentando centenas de operações diárias. Empresas de apoio offshore operavam em ritmo intenso para atender às demandas da produção em alto-mar. A própria imagem da cidade passou a ser associada à indústria. Eventos especializa- dos ajudaram a fortalecer essa identidade. A Brasil Offshore, realizada em Macaé desde 2003, transformou-se em uma das principais feiras do setor no país, reunindo empresas, fornecedores e profissionais ligados à explo- ração e produção de petróleo.
Diferentemente de cidades cuja arrecadação dependia principalmente das transferên- cias relacionadas à produção de petróleo, Macaé construiu uma economia diretamente conectada à operação da indústria. Empresas instalavam bases, contratavam trabalhadores, alugavam imóveis, utilizavam serviços locais e geravam uma atividade eco- nômica muito mais ampla do que a simples distribuição de receitas petrolíferas. Essa ca- racterística diferenciava o município de boa parte das cidades beneficiadas pelo petró- leo. No auge da bacia de Campos, era difícil encontrar um segmento econômico local que não estivesse, de alguma forma, ligado ao setor de óleo e gás.
O setor hoteleiro se expandiu para atender profissionais que viajavam constantemente entre bases operacionais e plataformas. O comércio acompanhou o aumento da renda e da população. Os royalties do petróleo tiveram papel importante nesse processo. Os recursos provenientes da produção offshore am- pliaram significativamente a capacidade de investimento do município. Obras de infra- estrutura, equipamentos públicos e serviços passaram a contar com receitas que poucos municípios brasileiros possuíam.
Mas a verdadeira força econômica de Macaé não estava apenas nos royalties.
Para Macaé, os efeitos foram imediatos. Em- presas diminuíram suas operações, contratos deixaram de ser renovados, escritórios foram fechados e milhares de postos de trabalho desapareceram. A produção da bacia de Campos caiu mais de 30% entre 2014 e 2017, segundo séries históricas da ANP. O mercado imobiliário, que durante anos havia convivido com alta demanda e valori- zação constante, passou a registrar aumento da oferta de imóveis e queda nos preços de locação. Hotéis que antes operavam próximos da lotação enfrentaram redução
Mudança de ciclo
Durante muitos anos, parecia difícil imagi- nar um cenário em que esse protagonismo pudesse ser questionado. Mas a indústria do petróleo sempre foi marcada por ciclos. E, em meados da década passada, o ciclo co- meçou a mudar. A partir de 2014, uma combinação de fatores atingiu em cheio a indústria de petróleo e gás. A forte queda do preço internacional do barril reduziu investimentos em diversos países.
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vida útil e ampliando a produção. Novos sistemas submarinos, campanhas de perfu- ração, intervenções em poços e a entrada de empresas privadas em ativos antes operados exclusivamente pela Petrobras deram novo dinamismo à região. Embora a produção da bacia de Campos nunca mais tenha alcançado o protagonis- mo absoluto dos anos 2000, ela continua respondendo por uma parcela significa- tiva da produção brasileira de petróleo e gás. Para Macaé, isso significa manter uma posição estratégica dentro da indústria, ainda que em um cenário bastante diferente daquele vivido durante o auge da explora- ção offshore. A experiência da cidade também deixou uma lição importante. Ao longo dos anos, Macaé buscou ampliar sua base econômi- ca, incentivando novos investimentos em tecnologia, inovação, educação, energia e serviços especializados. O objetivo é reduzir a dependência de um único setor sem abrir mão da vocação construída desde a chega- da da Petrobras. A diversificação ainda é um processo em andamento, mas tornou-se uma prioridade. Hoje, o município conta com três parques tecnológicos em desenvolvimento, mais de 10 mil estudantes em cursos técnicos e superiores ligados à engenharia e energia, além de iniciativas em hidrogênio verde, energia solar e pesquisas em eólica offshore.
Macaé continua sendo um dos principais beneficiários em arrecadação de tributos da Petrobras em 2025, estando entre os dez municípios brasileiros que lideram essa arrecadação. É um dos quatro municípios do Estado do Rio de Janeiro que fazem parte desse ranking, sendo Macaé, a líder, tendo registrado inclusive um aumentou subs- tancialmente sua arrecadação de R$ 317,5 milhões em 2024 para R$ 395,5 milhões em 2025 - crescimento de aproximadamente 24,6%. Os recolhimentos realizados pela Petrobras abrangem tributos próprios, oriundos das suas operações e retidos de terceiros, nas condições de responsável tributário e subs- tituto tributário, uma vez que a petroleira retém tributos nas operações comerciais com clientes e fornecedores, conforme esta- belecido na legislação brasileira. Os recolhimentos também envolvem as participações governamentais, que são com- pensações financeiras pagas pelas empresas que exploram e produzem petróleo e gás natural no território brasileiro.
Arrecadação de tributos
na ocupação. Restaurantes, comércio e prestadores de serviços também sentiram a desaceleração. A crise, no entanto, não pode ser explicada apenas pela conjuntura econômica daquele período. Enquanto o setor enfrentava difi- culdades, a própria geografia da produção de petróleo no Brasil começava a mudar. A bacia de Campos permanecia como uma das principais áreas produtoras do país, mas muitos de seus campos já haviam atingido a maturidade após décadas de exploração. Manter os níveis de produção passou a exigir investimentos crescentes em revitalização, recuperação de poços e modernização de plataformas. Ao mesmo tempo, o pré-sal demonstrava um desempenho que mudaria a lógica da indústria brasileira. Os gigantescos campos descobertos na costa sudeste apresentavam produtivida- de elevada, custos competitivos e grande potencial de produção. Gradualmente, os investimentos migraram para esses proje- tos, principalmente na bacia de Santos, que passou a concentrar boa parte da expansão da produção nacional. Essa mudança alterou o mapa da arrecada- ção de royalties no Estado do Rio de Janeiro. Municípios beneficiados pela distribuição das receitas provenientes do pré-sal passaram a registrar arrecadações cada vez maiores. O pro- tagonismo financeiro mudou de endereço.
Macaé deixou de figurar entre os maiores beneficiários dos royalties, mas isso não significou perda de importância para a indústria. A cidade continuou sendo o princi- pal centro operacional da bacia de Campos. Grande parte da infraestrutura construída ao longo de quase cinco décadas permaneceu ativa. Empresas especializadas em manutenção, inspeção, engenharia submarina, apoio marí- timo, logística, tecnologia e transporte conti- nuaram instaladas no município. O aeropor- to manteve sua relevância nas operações de embarque para plataformas, enquanto a ca- deia de fornecedores preservou em Macaé seu principal polo de atuação.
Revitalização
Nos últimos anos, esse papel voltou a ganhar força com a revitalização da bacia de Campos. Projetos conduzidos pela Petrobras e por operadoras independentes passaram a buscar o aumento do fator de recupera- ção dos campos maduros, prolongando sua
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Rio das Ostras também faz parte dessa refle- xão. Beneficiada pela proximidade com Ma- caé e pela arrecadação dos royalties, a cida- de experimentou um crescimento acelerado e investiu fortemente em sua infraestrutura urbana. A redução das receitas petrolíferas, porém, reforçou um debate que permanece atual em praticamente todos os municípios produtores: como utilizar uma riqueza finita para criar desenvolvimento permanente. No caso de Macaé, a resposta parece estar menos na busca por um novo ciclo de pros- peridade e mais na capacidade de adaptar uma estrutura construída ao longo de déca- das às transformações da própria indústria. A cidade talvez já não concentre os maiores volumes de royalties do Estado do Rio de Janeiro. Mas continua sendo o lugar onde a indústria offshore brasileira aprendeu a operar em águas profundas, formou milha- res de profissionais e estruturou uma cadeia produtiva que ainda hoje sustenta boa parte da exploração de petróleo no país. Mais do que contar a trajetória de um município, a história de Macaé ajuda a compreender a própria evolução da indús- tria petrolífera brasileira. A cidade cresceu junto com a bacia de Campos, enfrentou a maior crise já vivida pelo setor, adaptou-se às mudanças impostas pelo pré-sal e perma- nece como um dos pilares da produção nacional de petróleo e gás.Essa talvez seja sua maior conquista: manter a relevância mesmo quando o mapa da riqueza mudou.
Essa transição já começou. O fortalecimento de atividades ligadas à inovação, à tecnolo- gia, à qualificação profissional e aos serviços especializados busca ampliar a capacidade de geração de emprego e renda sem rom- per com a principal vocação econômica da cidade. O caminho não é simples. O petróleo conti- nuará exercendo papel central na economia de Macaé por muitos anos. A cidade reúne infraestrutura, conhecimento técnico e uma cadeia de fornecedores construída ao longo de quase cinco décadas. Trata-se de um pa- trimônio econômico difícil de reproduzir em qualquer outro município brasileiro. Ao mesmo tempo, a experiência dos últimos anos mostrou que depender exclusivamente da indústria petrolífera pode expor cidades a mudanças sobre as quais elas não têm controle. O preço internacional do barril, decisões de investimento das operadoras, alterações regulatórias e a própria evolução tecnológica influenciam diretamente o ritmo da atividade econômica.
Foi em seus aeroportos, portos, galpões e centros de treinamento que se estruturou boa parte da indústria offshore nacional. A mudança ocorrida na última década não eliminou essa vocação. O avanço do pré-sal deslocou os maiores investimentos da explo- ração para novas fronteiras de produção e alterou a distribuição dos royalties entre os municípios fluminenses. Ao mesmo tempo, a maturidade de diversos campos da bacia de Campos exigiu uma nova estratégia para manter a produção. Ainda assim, a região continua ocupando posição estratégica no setor de petróleo e gás. A revitalização dos campos maduros, a entrada de novas operadoras e os investi- mentos em modernização das unidades de produção prolongaram a vida útil de ativos considerados fundamentais para a indústria brasileira. Esse movimento preservou a importância de Macaé como centro operacional e logístico, mantendo a cidade como referência para empresas que atuam em exploração e pro- dução offshore. Hoje, o município enfrenta um desafio di- ferente daquele vivido nas décadas de ex- pansão acelerada. Se antes a preocupação era acompanhar um crescimento quase contínuo, agora a prioridade é consolidar uma economia menos dependente das osci- lações do mercado de petróleo.
Afinal, a história da cidade demonstrou que, embora o petróleo seja capaz de impulsio- nar um crescimento extraordinário, nenhum ciclo econômico permanece inalterado para sempre. Poucas cidades brasileiras tiveram sua histó- ria tão profundamente influenciada por uma única atividade econômica quanto Macaé. Em menos de meio século, o município dei- xou de ser uma cidade de porte médio do Norte Fluminense para tornar-se o principal centro operacional da indústria offshore bra- sileira. Essa transformação não se limitou aos nú- meros da produção de petróleo ou ao cres- cimento da arrecadação pública. Ela alterou o perfil da população, modificou a ocupação urbana, impulsionou a instalação de cen- tenas de empresas e fez surgir uma cadeia produtiva que hoje reúne fornecedores de engenharia, manutenção, inspeção, logísti- ca, tecnologia, transporte marítimo e aéreo, hotelaria, alimentação industrial e inúmeros outros serviços especializados.
Referência nacional
Vocação
Essa talvez seja a principal diferença entre a Macaé do início dos anos 2000 e a de hoje. O município continua sendo uma referência nacional para o setor de petróleo e gás, mas passou a enxergar a diversificação econômi- ca não como uma alternativa, e sim como uma necessidade estratégica.
Durante muito tempo, o nome de Macaé foi praticamente um sinônimo da bacia de Campos. Foi dali que partiram milhares de trabalhadores para plataformas espalhadas pelo litoral brasileiro. Foi na cidade que em- presas nacionais e estrangeiras instalaram suas bases operacionais.
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ENTREVISTA
E assim nasceu, quase silenciosamente, uma das maiores mudanças de paradigma da in- dústria: a adoção dos FPSOs como solução preferencial para operações em lâminas d’água extremas. Essa história, vivida intensamente por enge- nheiros, operadores, executivos, reguladores e estaleiros, permaneceu por muito tempo dispersa — guardada na memória de quem esteve nos projetos pioneiros, nas salas de decisão, nos conveses, nos comissionamen- tos e nos momentos críticos que moldaram a segurança, a confiabilidade e a cultura operacional do setor. Foi para preencher essa lacuna que surgiu FPSO Legado Offshore. A obra, escrita por Carlos Mastrangelo e Jorge Mitidieri, dois protagonistas diretos dessa JORNADA, res- gata não apenas a evolução técnica das uni- dades, mas também os dilemas, as contro- vérsias, os acidentes, as escolhas difíceis e os aprendizados que definiram o caminho da indústria brasileira — hoje referência mun- dial. Um resgate realizado por quem vivenciou essa revolução offshore. Engenheiro químico com MBA na FGV e London Business School, Jorge Luiz Mitidieri trabalha com projetos offshore há mais de 30 anos, tendo ocupado diversos cargos diretivos em corporações do setor. Atu- almente é consultor, mentor e professor.
Entrevista Carlos Mastrangelo e Jorge Mitidieri, autores do livro’ FPSO - legado offshore’.
O GRANDE LEGADO
Por Julia Vaz
urante décadas, a indústria de óleo e gás avançou sobre o mar sem regis- trar, de forma estruturada, a história
de uma das maiores revoluções da engenha- ria offshore: o surgimento e a consolidação dos FPSOs como unidades produtores em águas profundas e, depois, ultraprofundas. A ausência desse registro não era casual. O setor cresceu rápido demais, impulsiona- do por desafios técnicos inéditos, decisões ousadas e uma urgência que não permitia olhar para trás. E, no centro dessa transfor- mação, estava o Brasil. Foi a necessidade de produzir em novas fronteiras que empurrou a engenharia para águas cada vez mais profundas. A geologia do país exigia soluções que não existiam. As plataformas fixas e semissubmersíveis já não atendiam às novas fronteiras. Era preciso rein- ventar a forma de produzir petróleo no mar.
Foto: Divulgação - Jorge Mitidieri
Mastrangelo, engenheiro civil e de petró- leo, atua há mais de 40 anos na indústria offshore. Reconhecido internacionalmen- te, recebeu os prêmios máximos do setor - OTC Distinguished Achievement Award for Individuals (2019) e Prêmio Leopoldo Aurélio Miguez (2024), concedido pelo IBP. Atuou em cargos executivos pela Petrobras, SBM Offshore e Enauta/Brava, na qual foi vice-presidente e COO (Chief Operating Officer). Uma dupla entrevista na qual falam dos principais highlights que foram essen- ciais para moldar a engenharia de FPSOs no Brasil e no mundo.
Foto: Divulgação - Carlos Mastrangelo
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