ENTREVISTA
E assim nasceu, quase silenciosamente, uma das maiores mudanças de paradigma da in- dústria: a adoção dos FPSOs como solução preferencial para operações em lâminas d’água extremas. Essa história, vivida intensamente por enge- nheiros, operadores, executivos, reguladores e estaleiros, permaneceu por muito tempo dispersa — guardada na memória de quem esteve nos projetos pioneiros, nas salas de decisão, nos conveses, nos comissionamen- tos e nos momentos críticos que moldaram a segurança, a confiabilidade e a cultura operacional do setor. Foi para preencher essa lacuna que surgiu FPSO Legado Offshore. A obra, escrita por Carlos Mastrangelo e Jorge Mitidieri, dois protagonistas diretos dessa JORNADA, res- gata não apenas a evolução técnica das uni- dades, mas também os dilemas, as contro- vérsias, os acidentes, as escolhas difíceis e os aprendizados que definiram o caminho da indústria brasileira — hoje referência mun- dial. Um resgate realizado por quem vivenciou essa revolução offshore. Engenheiro químico com MBA na FGV e London Business School, Jorge Luiz Mitidieri trabalha com projetos offshore há mais de 30 anos, tendo ocupado diversos cargos diretivos em corporações do setor. Atu- almente é consultor, mentor e professor.
Entrevista Carlos Mastrangelo e Jorge Mitidieri, autores do livro’ FPSO - legado offshore’.
O GRANDE LEGADO
Por Julia Vaz
urante décadas, a indústria de óleo e gás avançou sobre o mar sem regis- trar, de forma estruturada, a história
de uma das maiores revoluções da engenha- ria offshore: o surgimento e a consolidação dos FPSOs como unidades produtores em águas profundas e, depois, ultraprofundas. A ausência desse registro não era casual. O setor cresceu rápido demais, impulsiona- do por desafios técnicos inéditos, decisões ousadas e uma urgência que não permitia olhar para trás. E, no centro dessa transfor- mação, estava o Brasil. Foi a necessidade de produzir em novas fronteiras que empurrou a engenharia para águas cada vez mais profundas. A geologia do país exigia soluções que não existiam. As plataformas fixas e semissubmersíveis já não atendiam às novas fronteiras. Era preciso rein- ventar a forma de produzir petróleo no mar.
Foto: Divulgação - Jorge Mitidieri
Mastrangelo, engenheiro civil e de petró- leo, atua há mais de 40 anos na indústria offshore. Reconhecido internacionalmen- te, recebeu os prêmios máximos do setor - OTC Distinguished Achievement Award for Individuals (2019) e Prêmio Leopoldo Aurélio Miguez (2024), concedido pelo IBP. Atuou em cargos executivos pela Petrobras, SBM Offshore e Enauta/Brava, na qual foi vice-presidente e COO (Chief Operating Officer). Uma dupla entrevista na qual falam dos principais highlights que foram essen- ciais para moldar a engenharia de FPSOs no Brasil e no mundo.
Foto: Divulgação - Carlos Mastrangelo
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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