Revista digital Oil & Gas Brasil Nº 78

ARTIGO I

IA e comércio exterior: o fator decisivo para a competitividade do setor de óleo e gás

de dados com disponibilidade, segurança e desempenho. Arquiteturas em nuvem de alta escalabilidade tornam-se fundamentais para suportar o crescimento das operações sem comprometer eficiência ou confiabilidade. Talvez a principal mudança esteja na forma como as empresas encaram a própria inteli- gência artificial. Em um primeiro momento, ela foi adotada para reduzir custos e acelerar tarefas. Depois, passou a ser utilizada para aumentar a precisão das operações. Agora, entramos em uma nova etapa: a de reimagi- nar processos. O maior potencial da IA não está apenas em automatizar atividades existentes, mas em transformar a maneira como elas são realizadas. Modelos baseados em agentes inteligentes, capazes de executar processos completos sob supervisão humana, tendem a redefinir a gestão do comércio exterior nos próximos anos. Para um segmento tão estratégico quanto o de óleo e gás, investir em tecnologia deixou de ser uma escolha voltada apenas à efici- ência operacional. É uma decisão que forta- lece a governança, reduz riscos, aumenta a competitividade e prepara as empresas para um ambiente de negócios cada vez mais complexo e dinâmico.

A tecnologia permite avançar para auditorias integrais, analisando praticamente 100% das operações em tempo real, cruzando docu- mentos, regras fiscais, legislação e políticas internas. O resultado é uma redução signifi- cativa da exposição a inconsistências, multas e passivos tributários. Outro aspecto frequentemente negligen- ciado é o impacto da transformação digital sobre as pessoas. Ainda existem profissionais altamente especializados dedicando parte significativa de sua rotina a atividades ope- racionais, como conferência manual de do- cumentos ou digitação de informações em diferentes sistemas. Quando essas tarefas passam a ser executa- das por soluções inteligentes, os colabora- dores podem concentrar seus esforços em análises estratégicas, gestão de riscos e me- lhoria contínua dos processos. Mas a inteligência artificial só entrega resul- tados consistentes quando trabalha sobre uma base sólida de dados. No comércio exterior, o volume de informações geradas é gigantesco e envolve documentos fiscais, registros aduaneiros, processos logísticos e integrações com diversos sistemas corpora- tivos. Sem organização e governança desses dados, não há algoritmo capaz de produzir informações confiáveis. Por isso, a infraestrutura tecnológica tam- bém ganha protagonismo. Empresas do setor de óleo e gás precisam de platafor- mas capazes de acompanhar operações em larga escala, processando grandes volumes

POR ANDRÉ BARROS

Hoje, trata-se de um fator determinante para a competitividade e para a sustentabilidade financeira dos projetos. Ao mesmo tempo, o cenário internacional segue impondo desafios. Tensões geopo- líticas, oscilações nos custos logísticos e mudanças nas regras do comércio global aumentam a necessidade de previsibilida- de e controle. Em um setor onde atrasos podem representar milhões de dólares em perdas, a margem para erros operacionais é cada vez menor. Nesse contexto, a inteligência artificial dei- xa de ser uma tendência para se consoli- dar como uma ferramenta estratégica. Seu papel vai muito além da automação de tarefas repetitivas. O verdadeiro potencial está na capacidade de reduzir riscos, elevar o nível de compliance e oferecer inteligência para decisões mais rápidas e precisas. Historicamente, muitas empresas realizam auditorias aduaneiras por amostragem devi- do ao enorme volume de operações. Embo- ra esse modelo tenha sido suficiente durante anos, ele já não acompanha a velocidade e a complexidade atuais.

setor brasileiro de óleo e gás vive um momento de expansão que exige das empresas muito mais do

que capacidade produtiva. O aumento da produção nacional, somado à complexidade das cadeias globais de suprimentos e às mu- danças regulatórias e geopolíticas, coloca o comércio exterior no centro da estratégia das organizações. Importar equipamentos de alto valor agrega- do, administrar regimes aduaneiros especiais, garantir conformidade fiscal e manter a ope- ração funcionando sem interrupções deixou de ser apenas uma atividade de suporte.

André Barros é CEO da eComex, empresa especializada em tecnologia para gestão de comércio exterior.

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