Revista digital Oil & Gas Brasil Nº 78

ENTREVISTA

entre operadora e fornecedora. Em resumo, foi uma contratação de unidade própria em que a empresa contratada detinha um call option para adquirir e afretar a unidade. Adotamos uma solução diferenciada limi- tando a relocação de uma unidade existen- te a sua extensão de vida associada ao seu desengargalamento. Acreditamos que esta solução tenha inúmeras vantagens e esta descrita em detalhes no livro. O&GB: Quais unidades ou empreendi- mento mais emblemáticos — e por quê? CM: Foram muitos, cada um marcante à sua maneira. Destaco três: o PP Moraes / P-34, que foi o primeiro FPSO classificado. Depois, o Pioneer, que foi o primeiro FPSO a operar nos Estados Unidos, o FPSO Atlanta (incluo também o PJ-1), ‘meu último’ FPSO entregue, quando estava como COO da Enauta/Brava Energia. Esses projetos abriram caminhos para toda a indústria. Lars Herbst, ex-diretor-geral do regulador americano MMS/BSEE, comenta sem seu prefácio o impacto positivo do Pioneer para os EUA. O&GB: Como evoluiu a relação entre ope- radoras e fornecedores ao longo da história dos FPSOs no Brasil? JM: Com o passar dos anos, todas as enti- dades envolvidas perceberam que trabalhar juntas com um objetivo comum traz enor- mes benefícios — regulatórios, de projeto e

resguardar e ressaltamos no livro e de não podemos perder nunca o DNA marítimo e naval. A tradição naval com seu histórico e experiencia muito mais longa, traz maior percepção de risco — que consideramos ser um fator crítico para o sucesso do conceito. E para concluir, deixo um conselho às novas gerações: busquem sempre iniciar com uma experiência na ponta operacional. Esse com- plemento foi fundamental para mim e será sempre decisivo para o sucesso na jornada profissional, especialmente quando chegar a altos cargos executivos. JM: O trabalho conjugado dos diversos atores deste mercado e a busca continuada das melhorias de processo são um grande diferencial para este mercado no Brasil. A Petrobras claro tem uma importância marcante até por ser a maior operadora de FPSOs no mundo. Muitas empresas internacionais que estão no Brasil trazem também a robustez e o conteúdo local que este mercado precisa. Para aqueles que estão iniciando a jornada neste mercado convido-os a ler e estudar os conceitos que apresentamos e também a manter a busca continuada de melhorias operacionais e de integridade das unidades atuais e futuras.

contratuais. Os projetos ficaram mais com- plexos, exigindo mais integração, mais con- fiança e mais compartilhamento de riscos. O modelo colaborativo permite que cada ator contribua com seu melhor, trazendo robus- tez aos futuros empreendimentos. Incluímos no livro todos os atores envolvi- dos: colaboradores, patrocinadores e apoio institucional. O&GB: Quais características dos proje- tos brasileiros contribuíram para posicionar o país como referência internacional em FPSOs? CM: O Brasil — mais precisamente a Petrobras — não foi para águas profundas por glamour, mas por necessidade. E não escolheu FPSOs por preferência, mas porque suas vantagens eram muitas. A disciplina de garantia de escoamento, por exemplo, nasceu no Brasil, devido aos desa- fios encontrados nos primeiros passos em direção as águas profundas e frias — justa- mente com o PP Moraes. Há uma foto curiosa no livro: a primeira regra de FPSOs no mundo foi noticiada em um jornal setorial e não mereceu nem a primeira página. Algo que mudaria a forma de produzir petróleo era cercado de ceticis- mo. Um ponto importante que precisamos

capacete, joelheiras e cotoveleiras. Simples- mente a sociedade mudou, o mundo mu- dou a cultura mudou. Conto também um acidente que tive que poderia ter sido fatal mostrando a importância da mudança na cultura de segurança. Isso se reflete hoje nas atividades offshore. Ainda há muito a evoluir. O&GB: Há algum ponto de inflexão na forma como o Brasil passou a conceber, contratar e operar FPSOs? JM: Não houve um ponto específico que quiséssemos destacar. Construímos o livro falando do passado mais distante, dos pro- jetos mais recentes, das empresas que cons- troem este mercado e da nossa visão estra- tégica do que ainda está por vir. Antes da Margem Equatorial e da Bacia de Pelotas — onde ainda teremos novos FPSOs por mais 30 a 50 anos — há desafios mais próximos. Como apaixonado pelo Brasil, gostaria de estimular de forma estruturada o avanço do conteúdo local, trazendo maior excelência para nossa indústria. Espero que o livro desperte nos futuros profissionais curiosidade e vontade de fazer ainda mais. CM: – Incluímos no livro uma descrição do caso Atlanta, apresentando uma forma dife- rente de contratação de um FPSO. Mostra- mos os ganhos desta relação diferenciada

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